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Entrevista com o violonista Chico Pinheiro

 

VIOLAB
Conte um pouco da história desse projeto com o Plácido Domingo.

CHICO
Há mais ou menos um ano e meio, participei de um concerto como convidado de uma uma Orquestra de Câmara incrível chamada Orpheus Chamber Orchestra, no Lincoln Center (NY).

A partir desse concerto surgiu o convite para participar da gravação com Plácido Domingo. É um projeto bem diferente dos outros CDs e DVDs dele primeiramente por se tratar de um grupo de câmara (normalmente ele trabalha com orquestras grandes), e o repertório não baseia-se naquele já tradicional para tenores. As gravações aconteceram em Valência.

VIOLAB
Vocês pertencem a mundos completamente diferentes, sob o aspecto estético. Como a música lírica e o jazz vão se entender nesse encontro um tanto quanto inusitado?

CHICO
Creio que o repertório tenha sido a chave para moldar esse 'crossing-over' entre dois universos realmente bastante distintos. O produtor do disco, Robert Sadin, que trabalhou recentemente com Sting, Wayne Shorter, Herbie Hancock etc., é brilhante, e um especialista em reunir o erudito e o Jazz. O projeto é tanto lírico como jazzístico, no sentido de ter bastante espaço de criação e até solos abertos para os instrumentistas, mas respeita inteiramente a forma do Plácido Domingo cantar. Aliás, ele cantou lindamente e gravou tudo junto conosco, dentro de uma grande sala, tudo valendo.

VIOLAB
Como foi o repertório?

CHICO
O repertório foi baseado em temas antigos do Mediterrâneo.

VIOLAB
Quais são seus planos para depois das gravações?

CHICO
Escrevo agora da Espanha, onde estou fazendo alguns concertos solo. Volto ao Brasil na sequência, para mais alguns shows, e em março finalmente começo a pré-produção do meu novo projeto, que será gravado ainda no primeiro semestre. Nesse ínterim devo ir aos EUA e Europa para Concertos e aulas, além e um CD em Duo com Ulisses Rocha, que, se tudo der certo, sai no segundo semestre de 2014.

VIOLAB
Você tem sido um dos embaixadores da música brasileira no exterior. Como você vê o impacto da nossa música em outros países?

CHICO
Já há algum tempo a música brasileira é das mais influentes pelo mundo. Todos respeitam a música brasileira e por ela têm um carinho especial.

Porém, creio que ao lado disso há uma verdadeira 'redescoberta' da nossa música, especialmente a "pós Bossa Nova" (que é ainda a grande referência quando se fala em música e Brasil).

As pessoas hoje sabem que há uma produção musical bastante efervescente no Brasil “pós Bossa Nova” e isso é fantástico pois abre um caminho muito importante para as novas gerações e para quem faz música brasileira em geral. Percebo tanto nos Estados Unidos como na Europa ou Japão (mercados bem diferentes e independentes um do outro) gente interessada em Choro, Maracatu, Frevo, Afoxé, Côco, Forró, assim como em Guinga, Lenine, Yamandú, Dori Caymmi, Brasil Guitar Duo (só para citar alguns) e outras tantas vertentes contemporâneas da música do nosso país.  
Creio que o mundo vê e sente que a música brasileira continua viva e forte, independentemente de gêneros ou tendências.

VIOLAB
Fale um pouco de seus instrumentos: Gibson, Zaganin, Benedeto…

CHICO
Assim que me formei na Berklee comprei em Nova Iorque uma Gibson 335 (do início dos anos 70), e logo depois adquiri outra Gibson mais antiga, modelo 175 (do final dos anos 60). Adoro ambas, e gravei muito com as duas (como por exemplo o último disco do Ed Motta, com a 335 a pedido dele próprio). Tenho também um violão tessarin de 1999 que encomendei assim que cheguei ao Brasil e uso até hoje.

Sou endorsee das guitarras N. Zaganin já há algum tempo, e tenho um carinho especial por estas guitarras; possuo uma modelo Blend e outra modelo 'Chico Pinheiro' (que é uma 335 um pouquinho menor).
Há dois anos sou endorsee das guitarras Benedetto, uma das marcas mais conhecidas e cujo luthier e fundador Bob Benedetto é um dos pioneiros na arte de fazer as guitarras Archtop nos Estados Unidos.
O modelo é uma Bravo Elite, cuja tocabilidade e sonoridade realmente são impressionantes - um super instrumento.
Quanto às cordas: Daddario Dynacore no Violão (hard tension), Daddario Chromes 0.12 na Gibson 175, Daddario XL 0.12 tanto na Gibson 335 quanto nas Zaganins, e finalmente Daddario Pure Nickel (EPN 21) 0.12 na Benedetto.

Abraços!!!