VIOLAB

VOLTAR

VIOLAB entrevista Diogo Carvalho

 

Tocar um violão com destreza e profissionalismo não é uma tarefa simples. Se somarmos ao domínio técnico o conhecimento teórico e harmônico em alto nível, teremos um instrumentista singular. Se, além disso, o violonista for um compositor e arranjador, temos um caso incomum.

Imagine que esse violonista escreve concertos para violão e orquestra, desenvolve um projeto de doutorado nos Estados Unidos em composição contemporânea, além de produzir festivais internacionais de música. Bem, aí teremos o nosso entrevistado da vez - Diogo Carvalho.


VIOLAB

Seu primeiro trabalho solo, Impressionismo, dedicado a transcrições de obras impressionistas, despertou a admiração de muita gente. Além de render excelentes críticas, mereceu um texto de capa de Paulo Bellinati que se refere ao seu trabalho como “o sonho de Tárrega realizado”. Como nasceu essa ideia?

DIOGO

A frase do Paulo foi uma surpresa boa pra mim, pois na verdade foi o meu sonho também! Eu comecei minha vida musical ao piano, por volta de 4 anos, e toquei os estudos clássicos ordinários pra essa idade. Também tirava muita música de ouvido, de vários estilos: canções infantis, música popular/pop/clássica. Meu irmão, mais velho, já tocava peças mais difíceis, e eu lembro que usava meu tempo ao piano pra tentar tocar, de ouvido, as músicas que ele tocava, pelo menos alguns trechos que eu conseguia. Um belo dia, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, se lembro bem, ganhei uma guitarra: fiquei muito feliz com o instrumento! Mas eu não tinha professor, pois só fazia aulas de piano e teoria, então passei meus primeiros anos de guitarra (e logo depois violão) tocando de ouvido ou lendo partituras pra piano – uma mão de cada vez, ou o que desse pra ajeitar... – e me acostumei a não ficar restrito ao repertório tradicional do violão. Doctor Gradus ad Parnassum (Claude Debussy), por exemplo, eu ouvi a primeira vez num vídeo do Alfred Cortot, se não me engano. Nessa época eu devia ter uns 12, 13 anos. Meu irmão ainda estudava piano pra valer e eu estava mais e mais inclinado para o violão, mas assistia a esses vídeos com ele. No caso do Cortot, passei anos tocando, ao violão, trechos do Doctor Gradus ad Parnassum sempre de ouvido, curtindo aquela peça maravilhosa.

Isso me acompanhou a vida toda, e quando comecei a estudar música pra valer, por volta dos 14, 15 anos, percebi que transcrição era um trabalho interessante e que me dava muito prazer. Então, continuei transcrevendo coisas, mas ainda não profissionalmente. Quando tinha uns 17, 18 anos estudava com Ulisses Rocha, e um dia mostrei pra ele a transcrição do Doctor Gradus ad Parnassum, como se fosse uma brincadeira minha, sem pretensões mais sérias. Ele me disse que tinha ficado muito bom e me incentivou a investir nesse projeto. Então a pesquisa começou: escolhi Maurice Ravel e Claude Debussy, peguei todas as partituras que encontrei (pra qualquer instrumentação) e comecei a transcrever uma por uma. Claro que muitas não funcionam, pelo menos no violão solo de 6 cordas, mas muitas funcionaram muito bem, e assim nasceu o projeto.

VIOLAB

Muitas das transcrições tiveram que passar por ajustes mais radicais, como supressão de notas e até mudanças de tonalidade. Como você lidou com essas questões?

DIOGO

Transcrição sempre envolve modificações, recriações e ajustes. Às vezes o resultado final só interessa aos entusiastas do instrumento, às vezes a todos os amantes da música. Um ótimo exemplo são as transcrições de Francisco Tárrega e seus seguidores e alunos, como Miguel Llobet e Emili Pujol. Algumas obras de Isaac Albéniz e Enrique Granados, por exemplo, são mais conhecidas em suas transcrições para violão do que em seus originais pra piano. Na mesma linha, encontra-se a transcrição de Maurice Ravel da obra Quadros de uma Exposição, de Modest Mussorgsky, de piano para orquestra. Um exemplo polêmico, que se pode dizer que interessa mais aos amantes do violão (não todos) do que ao público em geral, seria a transcrição pra violão da Sinfonia nº 9 de Antonín Dvořák feita por Kazuhito Yamashita. Com isto em mente, eu entendi desde muito cedo que a transcrição não vai agradar a todos, e não se deve preocupar demais com cada microdetalhe da partitura, mas sim em fazer a peça “funcionar” bem no novo meio utilizado, seja piano, violão, orquestra etc. Eu tenho uma lista dos principais processos que utilizei:

-- mudança de tonalidade;

-- modificação de articulação;

-- omissão de notas;

-- omissão e/ou modificação de materiais musicais;

-- omissão e/ou modificação de materiais musicais para possibilitar clara execução da melodia;

-- mudança de registro de oitava;

-- adição de recurso violonístico;

-- modificação de aberturas, estrutura e montagem de acordes, acompanhada ou não de omissão;

-- simulação tímbrica;

-- uso da audição psicológica.  

Não vou explicar cada um deles aqui, por falta de espaço, mas sugiro aos leitores que procurem a minha dissertação de mestrado: “Transcrições para violão: soluções técnico-musicais para interpretação de obras selecionadas de Claude Debussy e Maurice Ravel” que está disponível online.

Mas voltando à sua pergunta: mudança de tonalidade quase sempre vai acontecer quando se transcreve para o violão, pela simples razão de que o instrumento precisa de cordas soltas, principalmente baixos, para funcionar bem com a música tonal. Vale lembrar que a limitação de tessitura também pode ser determinante para a escolha da tonalidade. A mudança de tonalidade pode ocorrer em transcrições para outros instrumentos ou formações também, claro! Por exemplo: provavelmente não faria sentido manter a tonalidade quando se transcreve para violino uma peça em Bb original pra saxofone. Pode ser possível, mas, principalmente no repertório tradicional, possivelmente E, D, A, G, C, funcionariam melhor.

A parte de suprimir notas é simples: o transcritor precisa saber harmonia pra poder fazer escolhas coerentes, que possibilitem uma transcrição idiomática; esse termo é bastante controverso, então explico: uma transcrição que funcione bem considerando o estilo e o instrumento/ensemble utilizado.

VIOLAB

Mesmo com tais mudanças, a tessitura insuficiente do violão o obrigou ao uso de harmônicos falsos. Como foi o processo de estudo dessa técnica para que fosse possível o resultado que você obteve?

DIOGO

Essa foi a parte mais difícil, de enlouquecer. O melhor exemplo, no meu trabalho, é a valsa La plus que lente, de Debussy. Quando trabalhei essa peça, percebi que a transcrição funcionava muito bem, pois a peça combina com o violão, a harmonia encaixava bem, mas a tessitura era impossível. No caso do violão, quando se tem notas muito agudas, ou você muda a oitava ou você usa harmônicos. A mudança de oitava não deu certo, então tive que apelar para harmônicos artificiais dificílimos, que me matavam do coração toda vez que eu subia no palco. Mas eu me acostumei e fui desenvolvendo a técnica progressivamente, refinando os movimentos e aprendendo a combinar harmônicos artificiais com baixos e outras vozes. Essa peça é um desafio, mas funciona muito bem.

Harmônicos artificiais podem ser ou não considerados técnicas estendidas, mas é fato que são muito pouco estudados no repertório tradicional do instrumento. Acho que isso torna seu uso pouco comum, e limita os violonistas – eu, inclusive! Faço um paralelo com a respiração circular para saxofone, por exemplo. Estive com Laurent Estoppey, um dos melhores do mundo, e ele estava me contando como muitos saxofonistas, eruditos ou não, acabam limitando seu arsenal técnico na tradição. Quando se deparam com uma peça contemporânea, ou algo diferente, não estão preparados para executar o que se pede. Ele citou como exemplo a respiração circular, que, apesar de amplamente conhecida e relativamente fácil de se desenvolver, ainda é pouco estudada.

VIOLAB

Você é um violonista muito amplo em termos técnicos e musicais, atuando muito bem entre o erudito e o popular. Como foi possível desenvolver esses dois estilos?

DIOGO

Obrigado pelo elogio! Acho que isso tem a ver com a minha vida musical, que sempre teve as duas coisas juntas: ler partitura e tirar música de ouvido, aprender o suingue do samba e do minueto, combinar as técnicas eruditas e populares, a improvisação... Antes eu achava que isso era muito bom, que todos os músicos se beneficiariam de conhecer e tocar popular e erudito. Hoje percebo que não é nada disso: existe muita música em qualquer estilo, e qualquer músico pode ter uma carreira excelente limitado a um estilo ou aberto a vários. É claro que uma formação geral é muito importante, incluindo improvisação e história, mas a especialização é bem-vinda também.

Mas o que realmente me ajudou a transitar mais entre o violão “popular” e “erudito”, para usar estes termos polêmicos e pouco funcionais, foi ter estudado com dois grandes violonistas, o já citado Ulisses Rocha e Edelton Gloeden. Tem uma cena muito legal naquele filme Crossroads, de 1986, em que o professor de violão erudito do moleque fala pra ele: “Não sirva dois mestres!”. Eu não quis nem saber, estudei com os dois professores e acabei tendo essa carreira meio híbrida. Estudava estudos do Matteo Carcassi, tirava solos do Wes Montgomery, tirava peças do Raphael Rabello, estudava peças do Reginald Smith Brindle, curtindo fazer isso tudo!

VIOLAB

No trabalho em duo desenvolvido ao lado do Leonardo Padovani, começa a aparecer o seu lado compositor. Fale-nos sobre essa fase de sua vida artística.

DIOGO

Eu sempre tive vontade de compor, desde muito novo, porém meu foco foi sempre a performance, a didática e a análise musical. O repertório tradicional do violão, popular ou erudito, nunca me animou muito como foco de carreira, daí também a minha vontade de trabalhar com novas transcrições. Depois do trabalho de transcrições, que virou CD e dissertação de mestrado, eu senti vontade de abrir mais a parte de composição, até porque acho que o trabalho de transcrições se tornou bastante limitado para mim, já que a maioria dos bons compositores pré-século XX já foram transcritos para violão. Falo isso sem nenhuma crítica à música contemporânea – pelo contrário –, acho que o violão não precisa de transcrições de peças do início do século XX em diante, pois nessa época o instrumento se desenvolveu muito, adquirindo um repertório fantástico. É claro que podem aparecer exceções, mas pelo menos o meu interesse em transcrições deu lugar à vontade de compor.

Foi muito importante pra mim ter escrito e tocado o primeiro movimento do meu concerto pra violão e orquestra, em 2011. Eu fiquei feliz com o resultado e, apesar de não ter seguido naquele caminho, acho que há muito a se fazer em matéria de concertos brasileiros para violão e orquestra. Ainda voltarei a este estilo, pois sinto falta de um uso mais rítmico, de levadas mesmo, combinado a uma sólida e bem organizada construção formal, de modo que a peça não pareça uma colcha de retalhos. Isso é muito difícil de se conseguir, mas espero alcançar esse resultado um dia.

Quanto ao trabalho com o Leonardo Padovani: finalmente combinei composição, transcrição, popular e erudito, tudo num mesmo conceito. Ali, nós compusemos tudo juntos, de forma a incorporar as possibilidades e limitações da instrumentação desde o início. Uma coisa muito legal que fizemos foi compor as peças e tocá-las em turnê várias vezes antes de definir a versão final. Quando fomos para o estúdio, a gente já tinha tocado o programa diversas vezes, então o disco realmente ficou o melhor possível para nós. Lembro das nossas idas e vindas com as composições, em como a cada concerto a gente tirava uma parte, alongava uma frase, abandonava uma ideia etc. Além disso tudo, claro que aprendi demais com o Leo, que é um músico fantástico, cheio de ideias comunicativas, que sempre encanta as pessoas que o ouvem tocar. Com ele aprendi muito essa parte de saber alcançar qualquer público, e também que é possível perceber o que as pessoas gostam enquanto tocamos, de forma direta. Isso pode parecer simples, mas não é: a comunicação direta do instrumentista com o público, durante o concerto, é muito difícil de controlar e entender. Comunicação é a palavra chave aqui: o grande instrumentista tem que saber como e o que quer comunicar, e só é possível fazê-lo quando se conhece o público muito bem.

VIOLAB

Você hoje vive nos EUA, atuando como professor assistente na University of Florida. Quando e por que surgiu o interesse em sair do país?

DIOGO

Eu sempre gostei de viajar, de apresentar minha música ao redor do mundo. Também sempre tive vontade de morar fora, para viver coisas diferentes e ter a oportunidade de experimentar coisas que não faria no Brasil. Todo esse processo teve a participação fundamental da minha esposa, que também tinha vontade de morar fora do Brasil e me deu todo o apoio pra fazer essa loucura. Ela sacou, antes de mim, que estava na hora da mudança e que essa decisão faria muito bem pra nós dois. Num determinado momento, em 2014/2015, eu estava cansado de estudar horas de violão para manter um nível técnico minimamente aceitável, e a vontade de compor estava crescendo ainda mais. Acabei conversando com muitos compositores brasileiros que moravam nos EUA, gostei do que me contaram, e decidi aplicar pra Universidade da Flórida, para o doutorado e o trabalho de professor assistente. Foi uma decisão maravilhosa, pois eu jamais teria feito as coisas que estou fazendo agora se tivesse ficado no Brasil. Não digo isso pelo Brasil em si, mas sim por mim mesmo: como vim para os EUA como compositor, comecei a me dedicar 100% para a composição, e estou muito feliz! Agora, se vejo uma passagem musical difícil, não preciso mais estudar, pois não serei eu a tocar; isso agora é trabalho de quem for tocar a minha música! Ou, melhor ainda, posso escrever música eletroacústica e nem me preocupar com um intérprete!!!

Existe também, claro, o imenso leque de oportunidades no eixo EUA e Europa, é inacreditável. E eu acho uma pena o Brasil estar tão fora desse circuito, apesar de ter música e músicos, de todos os estilos, de nível absolutamente comparável. Também tenho gostado muito de dar aulas por aqui, de teoria e também de música e tecnologia. Eu sinto falta de dar aulas de violão, pois gosto de acompanhar mais de perto, individualmente, o crescimento dos alunos, mas tenho curtido essa mudança de ares, de dar aulas para turmas, fora do universo do violão.

VIOLAB

Seu doutorado é desenvolvido na área de composição contemporânea, mais uma amostra de sua incrível flexibilidade artística. Como surgiu o interesse pelo gênero?

DIOGO

Quando cheguei nos EUA, percebi que havia muito mais espaço para qualquer gênero, em comparação com o Brasil. Quando digo que há mais espaço, me refiro a mais público, interesse de instrumentistas, interesse das instituições de cultura e ensino. A música contemporânea é uma coisa viva, que está acontecendo o tempo todo, sem preconceitos nem restrições. Se compararmos isso com o universo das músicas mais tradicionais, como a música barroca, o choro, a ópera, qualquer estilo, mas “preservado”, a diferença é brutal. Na música contemporânea a individualidade do músico é muito presente, e a diversidade reflete a diversidade da natureza humana. É claro que existem exceções e problemas também, mas aqui nos EUA é comum você assistir a um concerto de música contemporânea e ouvir peças jazzísticas, seriais, aleatórias, eletroacústicas, folclóricas, espectrais, teatrais, tudo num mesmo concerto.

Eu gosto de experimentar e escrever música livremente, e gosto de envolver o público de formas diversas. Por exemplo, em Echo Chamber, uma das minhas peças recentes, o público vai até o palco e escolhe cartas que definirão o que os músicos tocarão. É um evento completamente inesperado, em que as pessoas voluntariamente saem de suas confortáveis cadeiras e participam da criação da peça. Os que ficam sentados se divertem observando as escolhas que os demais fazem e tentando entender o que acontece. Já na minha peça Reveal, para violão e tape, eu revelo sons que só nós, violonistas, conhecemos: eu gravei os sons pequenos do arrastar nas cordas, encostar nas madeiras, girar as tarraxas, soltar as cordas, entre outros. Depois esses sons foram amplificados e organizados sincronicamente com a parte ao vivo, em que o violonista faz o diabo com o instrumento, terminando com as cordas completamente soltas. Nessa peça o público escuta um violão hipersensível, como se o violonista não conseguisse esconder nenhum dos sons que passou anos aprendendo a esconder!

Esse tipo de composição só é possível na música contemporânea. Existem muitos críticos do estilo, claro, e isso é perfeitamente normal. Como disse, é uma música livre: se as pessoas não gostam, tudo bem! Existem pessoas que gostam. Não vejo mal algum em uma pessoa que gosta de choro passar a vida apenas ouvindo choro. Agora, em termos educacionais isso é um problema seriíssimo, pois as escolhas que se fazem nas escolas, de música ou não, direcionam muito da cultura humana. Uma coisa que gosto de pensar: foi decidido há muito tempo que devemos ensinar matemática nas escolas, e isso é mantido até hoje, pois há provas razoáveis de que a matemática é um dos pilares que nos torna humanos inteligentes. E com a música? Quem decide o que se deve ensinar? Devemos ensinar as crianças a ler partitura? As crianças devem conhecer os estilos musicais como coisas sagradas, perfeitas, ou como coisas vivas, que mudam e se desenvolvem? Mais do que encontrar respostas para estas perguntas, acho que as devemos formular e discutir.

VIOLAB

Além do doutorado, você ainda tem fôlego para empreender. Você está organizando dois festivais internacionais de música, um dedicado a compositores e outro dedicado ao violão. Como surgiu essa perspectiva?

DIOGO

Como compositor, eu percebi que precisava me dedicar mais a realizar eventos, concertos, festivais – não só por necessidade profissional, mas porque gosto da atividade de produção ligada à composição. O Vienna Summer Music Festival nasceu em 2017 apenas com o programa de ópera, e eu e Mike Polo, um amigo, resolvemos começar os programas de composição e violão. O festival foi um sucesso, uma experiência fantástica, que nos animou a também produzir o São Paulo Contemporary Composers Festival, que aconteceu pela primeira vez em setembro de 2018, e foi simplesmente espetacular. Trouxemos compositores do mundo todo: Nova Zelândia, Coreia do Sul, China, África do Sul, Israel, República Tcheca, Itália, Inglaterra, EUA, e Brasil, claro. Todos adoraram o Brasil e se apaixonaram pelas pessoas e pela cultura, além de ficarem impressionados com a qualidade dos músicos brasileiros.

A experiência de produtor internacional me coloca em contato pessoal com músicos do mundo todo, e isso é riquíssimo. Esse ano, em Viena, eu passei alguns dias com Irvine Arditti, o líder do ensemble (Arditti Quartet) que é provavelmente o mais produtivo da história. Eles devem ter tocado uma quantidade de peças que nenhum ensemble anterior teria sonhado em alcançar, e sempre com uma qualidade surreal. Uma coisa que pouca gente sabe no Brasil: o violista do quarteto é brasileiro! Ralph Ehlers.

Acho fantástico que o VIOLAB exista. É um projeto fundamental para o Brasil desenvolver o violão brasileiro e levar a nossa arte para o mundo. É responsabilidade nossa divulgar e ensinar o violão brasileiro pelo mundo afora, e eu espero poder contribuir sempre. Uma grande qualidade do VIOLAB é que ele foi idealizado e está sendo produzido por músicos de verdade, com um propósito de longo prazo.

VIOLAB

Fale-nos um pouco dos seus próximos projetos.

DIOGO

Para 2019, meu principal projeto é um concerto/exposição que farei no Harn Museum of Art, em Gainesvile, Flórida. O museu terá um dia dedicado à minha música, com diversas peças sendo tocadas em locais diferentes do museu. Vai ser uma experiência interativa, para um público diferente, que espero que curta a música e passe um dia divertido. Algumas das peças que escreverei serão inspiradas em obras do museu, sendo uma delas inspirada no Jardim Japonês. É um desafio, pois “transcrever” uma obra de arte visual para uma composição musical é uma coisa totalmente subjetiva, mas estou muito animado para começar!

Minha pesquisa de doutorado é um foco importante neste momento, pois estou desenvolvendo um projeto complexo, que deve estar finalizado em 2020.

Ainda quero muito escrever mais concertos pra violão brasileiro e orquestra, e isso está nos meus planos pra 2021, talvez antes.

Além disso, claro que quero continuar produzindo os festivais em Viena e São Paulo, envolvendo mais e mais músicos do mundo todo, para promover a música contemporânea e a arte em geral.


VÍDEOS

La Plus que Lente - Claude Debussy - Diogo Carvalho

https://www.youtube.com/watch?v=a-nuqUj5T4U

Ponte das Cordas (Bridge of Strings) - Duo Calavento

https://www.youtube.com/watch?v=DpC96nH7A14

Janela do Sol - Duo Calavento

https://www.youtube.com/watch?v=6Hn-zOx91mY

Concerto para violão e orquestra, mov. I - Diogo Carvalho

https://www.youtube.com/watch?v=n60FWJof1Gw  

SITE

https://www.diogocarvalho.com/performer