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VIOLAB entrevista Paul Galbraith

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Qual é sua cidade natal?

PAUL

Nasci em Edimburgo, Escócia.

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Conte um pouco sobre o início de sua história com o violão.

PAUL

Comecei aos 8 anos, tocando basicamente acordes estilo ’folk', e logo mudei para o violão clássico, com um professor local em Londres, onde a minha família morava na época. Em seguida, recebi o meu primeiro violão clássico, junto com o disco debut dos irmãos Abreu (no selo Decca), que para mim é uma das grandes gravações de violão de todos os tempos. Sempre penso na sorte de ter tido aquele disco como a minha primeira referencia violonística. De volta na Escócia aos 11 anos de idade, continuei com violão e piano na St Mary’s School of Music em Edimburgo e aos 13 anos, fui aceito na Chethams School of Music em Manchester para estudar violão e piano mas já decidido a me dedicar ao violão.

VIOLAB

Seu instrumento tem um formato bem peculiar e conta com uma caixa complementar de ressonância. Fale um pouco sobre os motivos que o levaram a desenvolver este violão especial.

PAUL

O motivo principal foi puramente musical. Eu queria ampliar o repertório e para isto era necessário expandir a tessitura do violão com uma corda mais grave e uma mais aguda e com esta extensão, um novo mundo de possibilidades se abriu para mim.

VIOLAB

Porque a escolha de David Rubio para executar o projeto?

PAUL

Sempre toquei violões Rubio porque adoro o som dos instrumentos. David era um luthier especial com uma experiência muito abrangente no mundo da lutheria. Era também renomado pela construção de instrumentos como violinos, cravos, etc. Foi para mim uma escolha natural e sou muito grato por ele ter aceitado realizar o projeto 8 cordas, nomeado por ele como “Brahms guitar”.

VIOLAB Além de grande concertista, você desenvolve um importante trabalho de transcrição para violão. Quais compositores são os escolhidos para suas transcrições e por quê?

PAUL

Como já mencionei antes, gosto de expandir o repertório do violão mas meu critério de escolha é puramente musical. Obras que possam trazer para o violão compositores da magnitude de Haydn, Mozart. etc. Fico muito entusiasmado em trazer obras de qualidade para nosso instrumento. Além de transcrever obras de J.S.Bach e outros da época barroca, já bastante comuns no repertório violonístico, transcrevo obras de Haydn, Mozart, Schönberg, Debussy, Ravel, Weber e outros. O intuito é sempre ampliar o leque expressivo do instrumento de uma forma idiomática. Tem que ser idiomática, senão, por mais genial que a transcrição seja, ela simplesmente não sobrevive.

VIOLAB

Um de seus trabalhos foi indicado ao Grammy em 1998. Como foi essa experiência?

PAUL

Foi maravilhosa! O “projeto” Sonatas e Partitas foi o resultado de muitos anos de trabalho até a gravação dos CDs e representava algo muito pessoal para mim. O fato de receber este reconhecimento da industria fonográfica era gratificante e no mínimo surpreendente. Depois da nomeação a pressão para gravar mais discos foi enorme mas naquele momento foi muito bom, pois veio de encontro com vários projetos pessoais. Foi um período muito prolífero.

VIOLAB

Fale um pouco do Quarteto Brasileiro de Violões.

PAUL

Como solista, a possibilidade fazer musica de câmara foi sempre um dos meus sonhos. Fui um dos fundadores do Quarteto e fiquei com o grupo por três anos, gravamos 3 discos e fizemos várias tournés pelos EUA. Tocar no grupo foi uma experiência excelente para mim, muito divertida, cheia de boa musica e ótima convivência.

VIOLAB

Indo para uma área mais técnica, fale um pouco de suas preferências em relação às cordas e alturas das mesmas.

PAUL

Uso cordas relativamente tensas por obrigação pois cordas com tensão normal não soam bem no meu violão. Elas tendem a trastejar além de dar um resultado sonoro fino demais na região aguda. Tenho usado também uma afinação mais grave um tom abaixo do padrão com o A = 390, acho que o violão soa muito melhor. Esta sonoridade grave me lembra também as velhas gravações de violão quando se usava cordas de tripa, um som que particularmente adoro.

Nas cordas uso: nylon na primeira e nas 2º, 3º, 4º uso fluorocarbono (linha de pesca ‘Seaguar’). No resto, uso cordas D'Addario, com espessuras especiais.

VIOLAB

Como você acha que essa escolha se reflete na sua forma de tocar?

PAUL

Me dá conforto, e esse conforto se traduz em relaxamento nas mãos.

VIOLAB

Quais são seus próximos projetos?

PAUL

O projeto mais próximo será o lançamento de uma gravação pelo selo brasileiro GuitarCoop em Agosto de 2016 com obras de J.S.Bach e Mozart. Além de gravações, tenho também projetos para os próximos anos com compositores para a criação de um novo repertório para o 8 cordas.


Paul Galbraith Website: http://www.paul-galbraith.com/