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VIOLAB entrevista Diego Figueiredo

Ainda muito jovem, em torno de seus 20 anos de idade, Diego Figueiredo teve a oportunidade de mostrar seu talento em São Paulo, durante as eliminatórias do Premio Visa de Música instrumental.

Suas apresentações foram marcantes e logo ficou claro que aquele garoto, até então desconhecido, viria para deixar sua marca na história do violão brasileiro.

Dono de uma versatilidade incomum, com um completo domínio da improvisação solo, Diego impressionou a todos e disputou o primeiro lugar cabeça a cabeça com Yamandu Costa, que acabou vencendo com uma margem muito estreita de votos.

Hoje, aos 36 anos de idade e com 23 CDs gravados, tem em seu curriculum participações nos mais importantes festivais de jazz do mundo e é reconhecido como um dos maiores talentos de sua geração, arrancando fervorosos elogios de gente como George Benson e Al Di Meola.

Segue a entrevista exclusiva com Diego Figueiredo para o Violab.


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Quando você começou a tocar? Havia algum músico na sua família?

DIEGO

Comecei a tocar muito cedo, aos 6 anos, quando ganhei um bandolim do meu pai. Meu pai tocava violão, mas não profissionalmente, e meu irmão mais velho é músico profissional, guitarrista.

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Você é um grande improvisador. Quando e por que veio seu interesse pelo jazz?

DIEGO

Sempre gostei de criar e improvisar. Aos 12 anos tive contato com o jazz e sempre fui me aprofundando nisso.

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Você nasceu e morou em Franca, uma cidade do interior de São Paulo bem distante da capital. Com quem você estudou? Como conseguiu se desenvolver musicalmente de forma tão intensa e singular?

DIEGO

Eu nasci em Franca, e ainda sempre vou pra lá, quando não estou em turnê. Minha maneira de tocar eu devo muito ao Haroldo Garcia, um grande mestre da guitarra que tive a sorte de encontrar quando tinha 13 anos.

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Você conseguiu uma enorme visibilidade ainda muito jovem, quando foi segundo colocado no prêmio Eldorado Visa. Foi esse o primeiro passo para a carreira internacional?

DIEGO

Prêmios são sempre muito bem-vindos, nos trazem visibilidade e reconhecimento. Hoje observo que a construção de uma carreira sólida internacional tem vários fatores, além do talento artístico, carisma, logística, empresário, aceitação do público, etc. É uma somatória de fatores. Fui premiado 2 vezes pelo Festival de Montreux na Suíça (2005 e 2007) e isso também abriu muitas portas.

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Nas eliminatórias do prêmio Eldorado Visa, você costumava inserir no seu repertório os prelúdios de Villa-Lobos executados na guitarra elétrica. Isso foi uma ideia, a princípio, um tanto quanto excêntrica, mas suas execuções foram impecáveis e abriram um novo caminho para a compreensão e utilização da obra do Villa. O que te levou a essa escolha? Você tinha consciência da ousadia que representaram essas execuções dos Prelúdios, aos olhos dos músicos eruditos?

DIEGO

Villa sempre foi uma grande referência, e eu adorava tocar os prelúdios na guitarra. Geralmente toco o que acho legal, da minha maneira, e nunca me preocupo com os olhos dos conservadores. Gosto do inusitado, do diferente, do distinto.

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Você dispensa a palheta quanto toca guitarra elétrica. Essa opção é influência da técnica do violão, instrumento hoje mais presente em seus concertos?

DIEGO

Tocar sem palheta foi influência do Haroldo Garcia. Hoje em dia tenho tocado mais violão nos concertos, pelo fato de ser um instrumento mais brasileiro, pelo timbre. Mas a concepção é a mesma tanto na guitarra quanto no violão.

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Quais são as suas maiores influências musicais?

DIEGO

Minha maior influência foi o Haroldo Garcia, o maior guitarrista que já conheci. Quem o conheceu naquela época, sabe do que estou falando.

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Na sua vasta discografia (23 CDs?), pode-se observar seu apreço pelo choro, bossa, jazz, clássico, ou seja, uma enorme gama de estilos que você domina completamente. Como foi o processo de aquisição de todas essas linguagens?

DIEGO

Meu pai me influenciou nos choros e sambas; minha mãe já gostava de boleros e salsas; minha avó, de música clássica. Trabalhei em várias bandas de bailes, toquei em bares por muitos anos, acompanhei diversos cantores, tive banda de rock, blues. Ter várias linguagens depende das influências, da estrada, e principalmente de não ter preconceitos com gêneros musicais, apenas separando as músicas boas e as ruins.

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Quando você regrava uma peça clássica, alguns autores pareciam ser mais preferidos, como por exemplo Villa-Lobos, Agustín Barrios e Dilermando Reis. Fale um pouco das características desses autores que mais te despertam a atenção.

DIEGO

A beleza das músicas é o que mais me atrai, independente da complexidade.

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Em sua carreira internacional, você já dividiu o palco com algumas lendas da música nacional e internacional. Como foi o encontro com Larry Coryell? Vocês chegaram a gravar juntos?

DIEGO

Conheço Larry há algum tempo, e temos tocados juntos, em Duo, há 3 anos, em diversos países. É uma honra estar ao lado dele, sempre aprendendo. Gravamos algumas coisas juntos, logo vamos soltar.

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Você tem dois CDs com a Cyrille Aimée, uma jovem cantora Francesa que, além de talentosíssima, frequentemente apresenta-se acompanhada por excelentes guitarristas. Como foi esse encontro? Vocês pretendem gravar outros trabalhos ainda?

DIEGO

Cyrille é uma incrível cantora. Digo que é minha irmã. Já fizemos mais de 300 shows juntos pelos EUA, e acredito que nosso CD Smile foi muito importante para nossa carreira internacional. Foi o CD mais tocado nas rádios de jazz em 2010.

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Falando um pouco de seus instrumentos, quais violões e guitarras você tem usado e qual a razão dessas preferências?

DIEGO

Guitarra Gibson: por sua bela sonoridade.

Violão Ovation Nylon: os motivos pelos quais eu uso esse violão são a praticidade, bom som de linha, e o fato de ele funcionar em todas as ocasiões sem dor de cabeça. Tenho feito mais de 150 shows por ano em diversos tipos de palco e todo tipo público, e acho difícil levar violão acústico e usar microfones em todas essas ocasiões. Foi uma opção minha usar este violão para poder trabalhar mais.

Violão Paulo Lazzarini: é um belo violão acústico para gravações.

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E os encordoamentos?

DIEGO

Daddario e Giannini.

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No caso da guitarra, qual amplificador você tem usado em palcos e/ou gravações?

DIEGO

Fender Twin.

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No caso do violão, como você cuida da amplificação? Qual equipamento você usa em palcos e/ou gravações?

DIEGO

Para mim palco e estúdio são duas coisas completamente distintas. No palco busco praticidade e desempenho. Na maioria dos shows eu uso linha, apesar de preferir o som acústico. Eu tenho feito turnês grandes de muitos shows solo consecutivos, neste caso temos que ser práticos. Para estúdio, um bom violão acústico, um bom pré-amp, e um bom mic.

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Quais são seus projetos para o futuro próximo?

DIEGO

Tenho feito muitas músicas, novas composições e logo devo lançar novo álbum de inéditas. Tenho muitos shows agendados para 2017 nos EUA. Ano que vem tem um grande projeto de CD vindo com grandes lendas do jazz.