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VIOLAB entrevista Carlos Walter

Mineiro de Uberaba, músico e advogado com mestrado em direito e instituições políticas pela Fundação Mineira de Educação e Cultura. Você deve estar se perguntando o que alguém com formação jurídica tem a ver com o conteúdo do Violab. Esse (júris)violonista tem tudo a ver.

Filho do compositor e saxofonista Álvaro Augusto Walter e da artesã Giselda Bárbara Walter, o entrevistado da vez é, além de um violonista brilhante, um profundo conhecedor do universo do instrumento, uma verdadeira “enciclopédia viva” sobre o assunto. Não há uma pergunta sobre violonistas, luthiers, instrumentos, equipamentos relacionados ao instrumento que ele já não tenha pesquisado e catalogado como informação. Com vocês, o violonista, pesquisador e amante mor do violão no Brasil: Carlos Walter.


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Como surgiu a paixão pelo instrumento?

CARLOS

Uai! No ventre materno...

Minto, desde a primeira infância, flertando o Di Giorgio nº 18 do meu irmão Cloves, com aquele “pasmo essencial” de criança (parafraseando o Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa) e um violãozinho de pau e arame a tiracolo! O primeiro arroubo quase sempre é lúdico, não é mesmo? Começa como uma brincadeira impregnada de sinestesia: dedos tateando a estética curvilínea dum corpo sonoro com olfato de madeira...

Desvendar cassetes de ensaios caseiros do meu pai com os violonistas Reinaldo De Vito e Adolfo Martins, gravados na década de 70 (antes do meu nascimento), tocando fox, bolero, valsa, samba, choro, música erudita e baião; presenciar as diletantes tocatas de vizinhos, tios e primos (Antônio Fofoca era hors-concours); ouvir a Bachianinha nº 1 do Paulinho Nogueira no LP O Fino do Violão – uma coletânea de standarts e violonistas brasileiros recorrente na vitrola dos meus pais; e descobrir que havia uma tradição musical centenária na família, maximizaram esse amor passional pelo instrumento.

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Quando e com quem você teve as primeiras aulas?

CARLOS

Aprendi os dois primeiros acordes (Em e Am) e a batida “Jaqueline” aos 9 anos com o melhor violonista do bairro (o Antonio Reinaldo) para tocar RPM numa gincana escolar. Mamãe e minhas irmãs ouviram essa cadência o dia inteiro. Coitadas!

Depois me apaixonei por uma garota. Assisti à biografia sobre o Ritchie Valens e a balada Oh Donna veio a calhar. O primo Marquinhos ensinou-me os acordes faltantes (G e D7). As quatro posições (G, Em, Am e D7) renderam-me aquele beijo sob a goiabeira do Sítio São Miguel. Haveria estímulo maior? Saí à caça de outras harmonias, melodias, batidas e namoradas. A esposa Rosana que o diga...

A dança da pulga (https://youtu.be/BpMR18BG58E) tocada pelo Tio Ló (imaginem um ermitão, que andava centenas de léguas, dormia em cemitérios e pagava promessas, tocando hammer-on, pull-off, na beira do fogão de lenha. Que se cuidem, Vittorio Camardese e Eddie Van Halen, os papas do two-handing!); as modas e causos de caminhoneiro do primo Bosquinho no violão Trovador com o cristal da Tron; meu pai tocando Casinha Branca com palito de dente, ensinando-me um arpejo nas primas e a 1ª, 2ª e 3ª de Dó; os riffs de rock do meu irmão; a Asa Branca que a irmã Ducarmo aprendeu com a Magoo; o meu dedão esquerdo na 5ª e 6ª cordas (o left thumb dos violoncelistas); a pressão dos meus primeiros LPs (Iron Maiden, Beatles, Ramones e Slayer)... Aos poucos fui construindo um graúdo vocabulário de sons, proezas e estórias: um repositório semiótico e psicanalítico de insights, imagens acústicas e catarses, apreendidos inusitadamente por osmose com N “professores” informais.

Mas estudar violão formalmente com o Sérgio Ramos ao longo de um ano foi um divisor d’águas. As lições de Tárrega, a (re)harmonização de canções, a assimilação de inventivos arranjos, o acesso à versátil discoteca e a um emaranhado sem fim de dados sobre o instrumento quebraram inúmeros paradigmas. Eu estava diante de uma miniorquestra.

Ouvir a Bachianinha nº 1 também foi impactante, conforme descrevi num artigo em homenagem aos 90 anos do Paulinho Nogueira:

“Fiquei enfeitiçado quando a descobri por acaso no nicho do toca-discos da casa dos meus talentosos pais, imersa numa coletânea de arautos das cordas dedilhadas, prensada em 1979 com o mesmo título do LP O fino do violão, lançado pelo Paulinho em 1965. Meses depois um tio pianista deu-me uma fita cassete contendo a versão orquestral dessa composição. Tinha doze anos e três convicções: de que a aprenderia a qualquer custo, o violão me acompanharia para sempre e daria prosseguimento à tradição musical familiar. Não havia internet. Apenas o fino chiado da vitrola, a fita regravável para poupar o disco e a agulha do inevitável desgaste e uma vontade tremenda de internalizar essa fuga à brasileira. Comecei tirando-a de ouvido, sem me dar conta de que a brincadeira desencadearia um gratificante laboratório de apreciação e percepção musicais. Mais adiante consegui uma partitura surrada (cópia da cópia da cópia). E aos poucos fui decifrando os segredos dos traços e círculos alvinegros grafados no pentagrama, debruçando-me sobre cada nota, degustando cada som, celebrando acertos, aparando arestas, travando um gradual e lúdico contato com a teoria elementar, a rítmica, o solfejo e a prática violonística”.

Contagiado pela euforia do filho caçula, o meu pai voltou a tocar o saxofone com regularidade e apresentou-me a fina flor da música ocidental. Matriculou-me nas aulas de solfejo do Olegário Bandeira, onde tive acesso a um considerável acervo de partituras e estudei dois volumes do Iniciação ao violão do Henrique Pinto.

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Após essa fase de aprendizado (in)formal, como você fazia para adquirir a informação e lapidar a sua técnica?

CARLOS

Através da heurística, o fio condutor da curiosidade.

Para engrossar o caldo dessa caleidoscópica aprendizagem, tocava horas a fio, ali, aqui e acolá, em casa, praças, quermesses, carrocerias, serenatas, palanques, cemitérios, colégios, missas, casamentos, sessões psicográficas, batizados, festas juninas, churrascos, botecos, escadarias e teatros. Devorava revistinhas, fonogramas, songbooks, realbooks, livros didáticos e videoaulas. A propósito, a playlist descontinuada de VHS da MPO Vídeo era artigo de cabeceira. Violão em Harmonia do Paulinho Nogueira, Arranjo e Performance do Ulisses Rocha, Estilo de Violão do André Geraissati, Conceito Instrumental do Paulo Bellinati e Guitar Fusion do Mozart Mello estavam sempre lá no G21 da Panasonic. Era como se o videocassete de 4 cabeças fosse um Oráculo de Delfos mediando uma relação transpessoal de ensinoaprendizagem com os meus guitar heroes nos primórdios da Educação à Distância. Ainda faziam parte da rotina, filmar recitais in loco, gravar entrevistas e musicais da Rede Manchete, TV Cultura e TVE, reproduzidos madrugada adentro em horários nada convencionais, para dissecá-los mais tarde. Com uma dose de autonomia e identidade, fui – de ouvido (e olho) – decodificando e internalizando esse universo infinito de vivências e linguagens.

Os 10 Estudos para Violão do Ulisses Rocha e a respectiva tese de doutorado defendida na UNICAMP, trabalhando-os sob a perspectiva do objeto técnico, da plataforma musical, da aplicabilidade e da exequibilidade; Valsas Brasileiras e Ritmos Brasileiros do Marco Pereira; Pumping Nylon do Scott Tenantt; a bibliografia do Nelson Faria (especialmente Acordes, Arpejos e Escalas; O Livro do Violão Brasileiro; Harmonia Aplicada à Guitarra; Exercícios de Leitura para Guitarristas e Violonistas); Novos Padrões do Diego Figueiredo; Chord Chemistry do Ted Greene; Cuadernos: Série Didáctica do Abel Carlevaro; os programas radiofônicos do Fábio Zanon; as revistas Guitar Player, Violão Intercâmbio, Acústico e Violão Pro; o Isometric for Guitarists do Milton Raskin e Howard Roberts; e uma avalanche de monografias, teses e dissertações decorrentes da multiplicação de programas de bacharelado, mestrado e doutorado nas últimas décadas, incrementaram esse balaio plural de fontes para o estudo continuado.

Presenciar performances arrebatadoras de músicos uberabenses nos bares locais (Archimedes, Joakinkas, Chopp Center e Surubim); assistir André Geraissati, Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Renato Andrade, Ulisses Rocha, João Parahyba e uma renca de músicos vacinados no auditório da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro durante a turnê universitária do Projeto Brasil Musical; ganhar uma fita cassete do Prof. Madureira com Toninho Horta de cabo a rabo; tocar com cantores e instrumentistas mais experientes; desenvolver temas autorais e construir um repertório instrumental repleto de variedades rítmicas de compositores desconhecidos e consagrados; frequentar as tradicionais rodas do Bar do Bolão junto ao Sílvio Carlos 7 Cordas para absorver a atmosfera brazuca do choro; conhecer amiúde (desmitificar) Juarez e Celso Moreira, Ian Guest, Toninho Horta e tantos outros ícones deificados; ir nos workshops do Festival Internacional de Violão de Belo Horizonte para espiar os sotaques sui generis de Chiquito Braga, Dominic Frasca, Egberto Gismonti, Geraldo Vianna, Hélio Delmiro, Ivan Rijos, Marcos Tardelli, Nelson Veras, Ralph Towner, Sebastião Tapajós, Ulisses Rocha e Zé Menezes propiciaram discernimento e evolução.

Ah! O networking e a demanda crescente de produções, gravações, alunos e concertos dentro e fora do Brasil são também valiosas ferramentas de lapidação da técnica, expressividade, rítmica, improvisação, percepção, ergonomia, autoconfiança e sonoridade.

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O direito e a música – como foi possível conduzir duas atividades tão paralelas? Você acredita que sua metade advogado contribuiu de forma positiva para a sua metade músico/pesquisador?

CARLOS

Sou filho, neto e bisneto de compositores, instrumentistas e ex-regentes da Sociedade Musical União XV de Novembro da cidade de Mariana: https://youtu.be/P6Ce92_b1VA?t=8m43s. Toco profissionalmente desde os 14 anos. Comecei a gravar em estúdio aos 16 num CD de New Age do Carlos Perez, distribuído mundo afora. Sou inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil desde 2001, associado do Clube do Choro de Belo Horizonte e filiado à União Brasileira de Compositores. A minha relação visceral com a música precede, se aglutina e ultrapassa qualquer imersão noutra área.

Ao concluir o ensino médio, não quis sair de Uberaba. A cidade não possuía bacharelado ou licenciatura em violão. Meu gosto e aptidão pelas ciências sociais aplicadas me levaram ao direito. Fiz estágios, bacharelado, especialização lato sensu e mestrado na área jurídica. Passei no exame da OAB, desde então advogo, leciono, pesquiso, publico livros e artigos especializados, presto concursos e avalio bacharelados em Minas Gerais pela comissão de educação jurídica dessa instituição. Nunca deixei de tocar profissionalmente. Sou obsecado por música e sempre banquei parte das minhas despesas com cachês artísticos. Casei-me e tenho dois filhos. “Quem casa, quer casa”, certo? A minha despesa aumentou consideravelmente. Virei então um workaholic com jornada transdisciplinar, vida familiar e social intensas.

O raciocínio, a hermenêutica e a retórica jurídicas são aliados importantes. Longe de atrapalharem, otimizam e sistematizam o meu fazer musical. Elaborar releases e propostas culturais; conceder entrevistas e depoimentos; formar público; interagir com a plateia; redigir e analisar contratos de prestação de serviço musical, gestão autoral de obras fonográficas, cessão de espaços teatrais, patrocínios e apoios culturais; gerir finanças e prestar contas de projetos artísticos; interpretar editais e concorrer em processos seletivos e licitatórios de festivais viabilizados pela administração pública; catalogar documentos e informações; organizar clippings e portfólios; compor, transcrever e arranjar; registrar composições; preparar materiais didáticos; lecionar e ministrar oficinas; organizar, escrever, revisar e editar livros; atualizar site e fanpage; corresponder por e-mail, messenger e whatsapp; alimentar as redes sociais; gerar ISRC via UBC/ECAD e ISBN como editor pessoa física via Biblioteca Nacional; arregimentar grupos; contratar músicos; emitir notas fiscais; fazer declarações tributárias; atuar como sideman e bandleader; ponderar conflitos de interesses; postular direitos constitucionais, autorais, civis, trabalhistas, sindicais, securitários, tributários e culturais para conferir segurança jurídica, lisura e eficiência à teia de competências e ações conjugadas que imbricam a produção musical passam inevitavelmente pelo direito.

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Você publicou livros e artigos: O violão e as linguagens violonísticas do choro e O discurso jurídico na democracia: processualidade constitucionalizada, respectivamente lançados pelo Clube de Autores e pela Editora Fórum, o que demonstra sua intensa atividade intelectual nas duas áreas. Discorra a respeito.

CARLOS

O livro jurídico citado é uma versão bibliográfica da minha dissertação de mestrado, orientada pelo professor doutor Rosemiro Pereira Leal. A imagem da capa é uma pintura à óleo da minha mãe. Publiquei-o em 2008. Desde então escrevo artigos especializados para a Revista Tributária e de Finanças Públicas da Editora Revista dos Tribunais.

Em 2006, uma série de retretas e homenagens realizadas em Mariana, Minas Gerais, marcaram o centenário de nascimento do meu avô Aníbal, compositor, bombardinista e ex-regente da Banda União XV de Novembro. Na época, organizei junto ao meu pai o livro de partituras No crepúsculo da mocidade: composições e arranjos marciais de Aníbal Walter reconstituídos por Alvaro Walter. Anos depois, o lançamos pelo Clube de Autores, uma alternativa sustentável para o segmento literário no Brasil, distribuída física e digitalmente sob demanda e custeada pelo consumidor final.

Fizemos o mesmo com a obra do meu pai, publicando quatro volumes dos seus arranjos e composições marciais.

Em 2010, ministrei uma oficina sobre o violão no choro. Confeccionei um roteiro para distribuir aos inscritos. Gostei tanto que o transformei num temário geral sobre o instrumento. Ou melhor, num livro disponível para download em https://drive.google.com/file/d/1atdZPN3_DEghXSZbUh814Advhu5IG5fr/view com a seguinte descrição:

“O Violão é onipresente! Está em (quase) todos os lugares... Nos botecos, picadeiros, quermesses, escolas, rodas de choro, folias de reis, salas de concerto e estar... Suas estórias contam a história da humanidade. No Brasil – por exemplo – seu advento está relacionado à catequização jesuíta de indígenas e/ou à imigração fugidia de ciganos perseguidos pela inquisição portuguesa. Dessa polêmica, subsiste um indiscutível diagnóstico: seu papel na formação dos primeiros agrupamentos de Choro da 2ª metade do século XIX foi essencial. Com isso, não seria temerário afirmar que o Violão contribuiu (e vem contribuindo) decisivamente nos processos de estruturação e desenvolvimento da música brasileira. É o que esse livro buscou enfatizar ao expor os conteúdos da oficina de capacitação violonística do autor para o projeto de educação musical do Clube do Choro de Belo Horizonte. Repleto de temas que reclamam didatismo e maior publicidade como estrutura do choro, ergonomia, luteraria, notação, harmonia funcional, performance, propriedade intelectual, sonorização e tocabilidade, lança mão de uma base sólida de referências reunidas para despertar o(a) leitor(a) às linguagens violonísticas do Choro e favorecê-lo(a) em seus estudos musicais.”

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Explique como o estudo do violão se encaixa no seu cotidiano.

CARLOS

Meus filhos ainda são pequenos. Logo, durmo a prestação. Para dar conta do recado, acordo cedo e geralmente durmo tarde; organizo bem a minha agenda e faço concentradamente uma coisa de cada vez. Procuro ser ágil, objetivo e disciplinado. Consigo então rezar o “violão nosso de cada dia”, reservando uma quota diária de 50 minutos de estudo aplicado com metrônomo: 5 minutos de exercícios isométricos para aquecimento, alongamento e fortalecimento (https://youtu.be/YcGfidjiEPA), 10 minutos de exercícios para as mãos direita e esquerda, 10 minutos de repertório (estudos, temas autorais e não-autorais), 5 minutos de levadas rítmicas, 10 minutos de improvisação e composição, 10 minutos de leitura e percepção.

Vou anotando o que estudei para não perder o fio da meada. E, ao mesmo tempo, me amparo em duas listas alfabéticas de peças autorais e não-autorais. Recorro a vídeos, fonogramas, playbacks, editores de partitura (Progression, Encore, Finale ou Sibelius), ao gravador e ao vídeo do celular, à câmera Q4 Handy Video Recorder da marca Zoom com microfonação X/Y para registrar ideias e avaliar resultados, ao Pdf to Music para ouvir o áudio das partituras em pdf, Best Practice e Amazing Slow Downer para transpor o tom ou reduzir a velocidade de um arquivo sonoro.

Com circularidade, oxigeno a memória (tátil, auditiva e fotográfica) para a rotina não ficar repetitiva, monótona, meramente mecânica ou pouco musical. A paixão e o prazer de tocar são iguarias inafastáveis.

Na véspera de um concerto ou gravação, intensifico, aumento o tempo de dedicação e realizo estudos dirigidos. Procuro ainda deixar um instrumento à mostra e por perto. O instrumento fora do estojo é um estímulo subliminar, catalisador de insights. De madrugada, para não acordar a família ou incomodar a vizinhança, estudo no violão Godin com o AmPlug acoustic da Vox (amplificador para fone) ou num violão acústico com um abafador de cordas (flanela ou Rosette Tremolo Mute Practice Tool encostada no cavalete entre as cordas e o tampo: https://www.stringsbymail.com/rosette-tremolo-mute-practice-tool-5806.html).

Quando estou longe do instrumento (em salas de espera, filas, engarrafamentos, escolinhas de futebol e natação), estudo por reflexão. Projeto um violão imaginário e o toco mentalmente. Quando a fonte de assimilação da música é um áudio, escuto-o até internalizá-la. Havendo partitura, leio-a demoradamente sem o instrumento. Esse background acelera o processo de concatenação entre o que está escrito e será tocado.

Há momentos em que estou sobrecarregado, refém de atividades incanceláveis. Ou simplesmente sem vontade de tocar. Para contornar, desacelero ou fico dias sem pegar o violão. Encaro esse hiato como um período de maturação, que retroalimenta o inconsciente e o desejo de tocar. Não fico então me penitenciando sob o manto demagogo de fórmulas estanques, condições resolutivas ou frases prontas como “Se você deixar de tocar o violão um dia, ele o deixará por uma semana”. A música ultrapassa essa materialidade. O violão é apenas um instrumento, um meio através do qual me comunico, dialogo e conto estórias sem palavras. No mais, considero fundamental cuidar da família, ser benevolente, ajudar ao próximo, ler e conversar sobre assuntos extramusicais, reciclar e ampliar a discoteca para além da caixa acústica do violão, viajar, malhar, pedalar, caminhar, fomentar uma vida espiritual, psíquica, emocional, física e sociocultural saudável e equilibrada.

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Em 2015 você lançou o CD de áudio e o livro de partituras, cifras e tablaturas, trabalho intitulado Calendário do (A)feto. Trata-se de uma suíte de nove movimentos de difícil execução inspirados nos nove meses de gestação do seu 1º filho. Como foi o processo de desenvolvimento deste trabalho?

CARLOS

O CD/E-Songbook Calendário do (A)feto, lançado em 2015 com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, consiste numa suíte para violão solo com 9 movimentos (ritmos latino-americanos) alusivos aos meses de gestação, composta durante a gravidez do meu primogênito e gravada no Lontra Music do João Ferraz sob a direção musical da Elodie Bouny.

Dediquei-a ao filho Pedro e à posteridade (ao caçula Estêvão, aos netos, bisnetos...), estendendo homenagens às crianças, mães e pais do planeta, à espreita da saga dos meus ancestrais, que dedicaram marchas, dobrados e afins aos seus descendentes. Quando nasci o meu pai escreveu:

“Carlos Humberto nasceu... Que ufania ser um instrumento de Deus para dar a vida a esse filho que amarei e protegerei; Que ternura infinita posso sentir ao me inclinar sobre o berço dessa criancinha, cuja vida alvorece para ser o prolongamento de minha própria vida; E que sustentáculo no meu trabalho cotidiano pensar que ganharei o pão para mais um filho; Estreitando-o nos meus braços sinto-me mais forte e engrandecido. Nada torna o homem mais homem, nada desenvolve melhor a personalidade do que ter responsabilidade. Deverei criá-lo para que goze saúde; deverei fazê-lo instruir para que possa vencer na vida; deverei formar essa alminha para que venha a ser uma pessoa honesta e feliz. Carlos Humberto é o mensageiro da felicidade. A sua vinda aprofunda o amor em nosso lar, pois é um laço novo entre eu e minha esposa; Um laço de gratidão visto como cada um de nós poderá dizer que deve ao outro essa alegria renovada da maternidade e da paternidade; É um laço de afeto também, pois, teremos juntos alguém a mais para amar – alguém que nos ajudará a suportar as dificuldades da vida – alguém que tornará maiores as nossas alegrias e vitórias. Das sinfonias, fantasias, valsas e dobrados que escrevi, esta marcha é a mais simples de minhas composições - resquício de uma época que já se foi. Apesar da simplicidade, todas as Bandas Militares e Civis que a executarem sentirão em sua harmonia um impulso para marchar a largos passos pelas ruas e fazer vibrar bem alto esta melodia – linguagem da emoção – beleza sonora que não morre nunca. Uberaba, 06 de agosto de 1979, Alvaro Augusto Walter.”

Além das faixas de áudio com vinhetas extramusicais (a onomatopeia Uh! metaforizando a náusea materna no 2º mês; o batimento cardíaco extraído de um ultrassom no 5º mês; o choro no berçário sincronizado com os acordes iniciais do 9º mês etc), a mídia contém um livro digital de partituras, cifras e tablaturas, repleto de excertos da literatura universal sobre paternidade e maternidade, reunidos para alcançar um público-alvo abrangente e difundir o repertório de violão solo brasileiro, disponível em https://drive.google.com/file/d/1W6dFxSIvbc5QBtV00jTeRXJiYaznje1y/view.

Já o projeto gráfico de Júlio Abreu e Leonora Weissmann decorre de um ensaio fotográfico com lentes de alta precisão sobre espirais e contornos circulares de conchas e violões para incutir a ideia de longevidade e fertilidade. O encarte lembra inclusive uma folhinha de calendário.

Também abrilhantam este CD testimoniais de familiares (meus pais), expoentes da música (Yamandu Costa, Elodie Bouny, Ulisses Rocha, Juarez Moreira) e da medicina (Luiz Otávio Savassi Rocha), justapostos para entretecer música, laços de família, literatura e saúde materno-infantil. Acesse o encarte para visualizar tais impressões: https://drive.google.com/file/d/1Zcbzs4c87UTGBOoq1lKIrcSWM1eQN5zP/view.

Enfim, um trabalho transdisciplinar que descreve musicalmente a trajetória fetal, o qual recebeu menção honrosa e me classificou na categoria dos melhores instrumentistas do prêmio Melhores da Música Brasileira de 2015: http://www.melhoresdamusicabrasileira.com.br/2015/12/instrum2015.html. Para maximizar a divulgação, publiquei no meu canal do Youtube ao longo de 9 meses os vídeos dos 9 movimentos gravados no Sesc Palladium no dia do lançamento. Podendo, assista-os (https://www.youtube.com/playlist?list=PLmBe9uox5Jfn1IQwOfsB35nGH2W0fxtsE). Ficaram tão interessantes quanto as gravações originais, disponíveis no Deezer (https://www.deezer.com/br/album/11604756) e no Spotify (https://open.spotify.com/album/4r92CKi7tLfFyztkmHPI7U).

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Além do seu trabalho como solista você ainda desenvolve parcerias com outros músicos. Fale dessas interlocuções.

CARLOS

___ Extra, extra! Encontra-se no prelo um livro inédito do Ian Guest, intitulado Aventura de lápis e borracha: songbook de manuscritos pelo autor, no qual desempenho os papéis de (co)organizador e revisor. Compartilho em primeira mão a gravina de minha releitura do tema Hospitalidade em Belo Horizonte (https://soundcloud.com/carloswalter-1/hospitalidadeembhianguestporcarloswalter) elaborada a partir de manuscrito (https://drive.google.com/file/d/1EA4bbYh4NKCPVuOaKKEHiU6DXW-RiIvT/view) do ilustre brasileiro made in hungary:

Toco em duo com o multi-instrumentista Marcelo Jiran. E a nossa meta é divulgar a música instrumental através de arranjos sui generis para temas autorais e de autores brasileiros consagrados ainda desconhecidos do grande público como Pixinguinha, Garoto e Jacob do Bandolim. A performance é despojada e garante um resultado surpreendente, capaz de entreter o público-alvo e promover um diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. A seguir uma playlist agradável de 3 faixas com violão, bandolim e acordeon: https://soundcloud.com/carloswalter-1/sets/carlos-walter-e-marcelo-jiran

Em 2007, criei o 13 Cordas junto ao Sílvio Carlos para difundir as linguagens violonísticas do Choro, representar a identidade musical de nosso país e proporcionar ao público-alvo entretenimento e lazer. Em 2010, o duo participou do VI Festival de Choro de Paris, onde realizou concerto e oficina mediante premiação do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura e em 2012 participou da Jornada de Abertura da Temporada 2012-2013 do Clube do Choro de Paris por intermédio do edital de intercâmbio do Programa Música Minas. Recentemente foi semifinalista do 18º BDMG Instrumental e lançou pelo Acervo Digital do Violão Brasileiro vídeos gravados em espaços icônicos de Belo Horizonte para homenagear os 100 anos de Jacob do Bandolim e Dino 7 Cordas (Falta-me Você: https://youtu.be/RQmZ8-Qy7FI) e os 90 anos de Paulinho Nogueira (Bachianinha nº 1: https://youtu.be/26Th7nenIOk).

Em 2002, lançamos eu e o Sérgio Ramos o primeiro e único CD do Duo Mel. Na falta de um nome, espelhamo-nos no Duofel. Ainda que FeL correspondesse às iniciais dos violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, Mel se anunciou com um jocoso contraponto entre o que seria amargo (fel) e doce (mel). Começamos com o pé direito. O encarte continha um generoso texto do Ian Guest:

“A sonoridade de dois violões, na mão dessa dupla de músicos repletos de domínio instrumental e criatividade, oferece coloridos e formas caleidoscópicas de riqueza surpreendente – beirando o som de uma orquestra de violões e lembrando, por vezes e por exemplo, de sons de harpas e alaúdes. As composições, em sua singeleza e simplicidade, são excelente matéria-prima para harmonias, contracantos e texturas incrementadas de idéia e humor. Devido aos seus matizes furta-cor cada nova audição corresponde a novas revelações, tão desejáveis em gravação.” (Ian Guest)

Há alguns anos esse CD foi objeto de pesquisa em monografia de André Luiz Fernandes para a conclusão do bacharelado em Música da Universidade Federal de Uberlândia. Para subsidiar o trabalho, transcrevi parte dos meus arranjos e variações. Vide páginas 75 a 102 do TCC: https://drive.google.com/file/d/1wXLm1IvTKcj8rkLl_05oUYvMmpSa_1ID/view. Eis a playlist de trechos das faixas desse álbum: https://soundcloud.com/carloswalter/sets/sorte-duo-mel-interpreta-ramos Sou associado do Clube do Choro de Belo Horizonte desde 2007. Toco no grupo-base e fui assessor da diretoria cultural ao longo de 8 anos. Participei de dezenas de apresentações como solista e harmonizador nos principais teatros da capital mineira e nos rincões do Estado. Em 2008, o Clube marcou presença na I Semana de Belo Horizonte em Buenos Aires. Compus então Belos Aires, Buenos Horizontes. Afinal de contas, as duas metrópoles são consideradas cidades-irmãs. Seguem links de acesso ao vídeo e à partitura desse breve choro atípico (https://youtu.be/vCvWK6OYbRM e https://drive.google.com/file/d/0B0hvP9pTEGEnWUZHTDVZWWYtMXM/view). Entre 2007 e 2017 participei da discografia do compositor e bandolinista Marcos Frederico. Em 2011, montamos o trio Pocket Choro com o percussionista Felipe Bastos para representar o Brasil na 16ª Cumbre de Mercociudades realizada em Montevidéu. Lá dividimos o palco com Jaime Ross e Cielo Raso num show memorável na Plaza de la Intendencia com mais de 20 mil pessoas.

Chamo a atenção para Procurando Django de Marcos Frederico e Rômulo Marques, gravada no CD/LP Universo Carapuça que o Marcos lançou junto ao cantor, compositor e radialista Lucas Fainblat em 2015: https://soundcloud.com/lucasfainblat/procurando-django Falando em Fainblat, ouçam como ficou bela A Flor do Mato. Nessa gravação utilizei um violão com tampo de cedro da Tagima assinado pelo Ulisses Rocha: https://soundcloud.com/lucasfainblat/flor-do-mato Atuo também em parceria com a cantora Giselle Couto. Dê uma olhada em nosso vídeo interpretando um choro-canção da Maria Inês Guimarães, pianista francobrasileira que coorganiza o Seminário Eurobrasileiro de Choro, no qual figuro, vez ou outra, como consultor e professor: https://youtu.be/7LJcNHzpzKY

Cito ainda o projeto Isso é que é viver no qual toco guitarra semiacústica com o cantor Mauro Zockratto e o violonista de 7 cordas Adir Reis (Sofar songs from a room Brasil: https://youtu.be/yMsl6OuXjGs)... E o salutar intercâmbio com as francesas Aurélie Tyzsblat e Verioca Lherm. Gostei tanto do single Reconciliação do CD Além des Nuages (https://youtu.be/qs49ZIcKDg4) que escrevi um arranjo para violão-solo disponível em https://drive.google.com/file/d/0B0hvP9pTEGEnN1N5eUhSSDQzQU0/view. E, desde sempre, toco com o meu pai, cuja obra já foi tema de monografia (https://drive.google.com/file/d/1jK-RujC0EzbnwJuLrkrqajnaYtFM_azJ/view?usp=sharing) e documentário (https://youtu.be/mFyaXZFVuVY) produzidos nos bacharelados de música e jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. Dele, compartilho a intro e a 1ª parte do dobrado sinfônico "Aprendiz de Joãozinho", um jeito caricato de se adaptar a linguagem violonística a uma peça marcial.

VIOLAB

Você já tocou ao lado de uma lista respeitável de grandes nomes da música instrumental brasileira, onde se destacam Elodie Bouny, Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Paulinho Pedra Azul, Gabriel Grossi, Nicolas Krassik, Alexandre Gismonti, Zé da Velha, Henrique Cazes e Silvério Pontes. Em que situações aconteceram tais encontros?

CARLOS

Interagi-me com a Elodie Bouny através do Concurso Novas – Música brasileira para violão, um projeto especial do qual é idealizadora, que fomenta e traça um panorama atual da produção violonística no país. Na 2ª edição, o júri – integrado por ela, Marco Pereira, Sérgio Assad e Fábio Zanon – selecionou duas composições minhas, Acrobata e Sui Generis. A premiação consistiu em gravá-las num CD híbrido com álbum digital de partituras e numa série de concertos de lançamento. Em 16 de julho de 2014 – Dia de Minas – fui a São Paulo para lançá-lo no MASP junto ao Alexandre Gismonti, um dos selecionados, e à Elodie. Repetimos a dose junto ao Guilherme Vincens, outro selecionado, no 8º Festival Internacional de Violão de Belo Horizonte. A seguir links de acesso ao Deezer (https://www.deezer.com/br/album/8067076) e ao Spotify (https://open.spotify.com/album/7b0uLdzcRyoHD8RfPSGjrO). Conheci o Hamilton de Holanda na década de 90. E lá se vão mais de 20 anos. Estou velho, hein!? O Dois de Ouro, integrado por ele, o pai José Américo e o irmão Fernando César, e o Chorocultura, do qual o meu pai participa, dividiram o palco no Jockey Club de Uberaba. O decano Pernambuco do Pandeiro participou também. Pra variar, filmei tudo. Duas décadas depois o acompanhei no Palácio das Artes e num palco aberto do SESC instalado na Praça Duque de Caxias de Santa Tereza, um bairro histórico de Belo Horizonte donde saiu o Sepultura e o Clube da Esquina.

Com o Yamandu Costa e o Paulinho Pedra Azul, toquei no Teatro Alterosa, num concerto organizado pelo Clube do Choro de Belo Horizonte.

Já o Nicolas Krassik e o Gabriel Grossi, os conheci, respectivamente, no 11º BDMG Instrumental e na Mostra Nova Música Instrumental Mineira, enquanto convidados do bandolinista Marcos Frederico, com o qual toquei por anos para divulgar a sua discografia.

Zé da Velha, Silvério Pontes e Henrique Cazes, acompanhei-os no Teatro do Sesc Palladium durante a Semana Nacional do Choro e Samba de Belo Horizonte.

VIOLAB

Que instrumentos você tem usado?

CARLOS

Utilizo os seguintes instrumentos de acordo com o repertório, a sonoridade, a natureza do evento, as características do espaço, o tipo de traslado, a logística, a portabilidade e o valor do cachê, não necessariamente nessa ordem.

-- Violão do luthier Lúcio Jacob com tampo de cedro canadense, braço de cedro brasileiro, escala de ébano, cavalete, laterais e fundo de jacarandá brasileiro, sound port, fibra de carbono no braço e no leque, captação vip Double do Carlos Juan com saída stereo via cabo Y do piezo e do sensor: https://youtu.be/B3x4DHReEGk;

-- Violão do luthier Lineu Bravo com tampo de pinho alemão, braço de cedro brasileiro, escala elevada de ébano, cavalete, laterais e fundo em jacarandá brasileiro, captação kremona: https://www.instagram.com/p/Ba-xYf7F1Yn/?taken-by=fivbh;

-- Violão do luthier Lúcio Jacob, com tampo de pinho alemão, braço de cedro brasileiro, escala de ébano, cavalete, laterais e fundo de jacarandá brasileiro, com tampo de pinho, armrest, sem captação: https://m.facebook.com/carloshumbertowalter/posts/1815119111841465;

-- Violão autor Di Giorgio com tampo de pinho alemão, braço de cedro brasileiro, laterais de pau ferro, cavalete e fundo de jacarandá brasileiro, captação fishman acoustic matrix natural I: https://youtu.be/S_AotYj4ESk;

-- Violão Takamine E30, com tampo de pinho alemão, braço de mogno, escala, cavelete, laterais e fundo de jacarandá indiano, captação original, que sobreviveu ao incidente fagneriano no alto da Serra da Piedade em plena homenagem ao Fernando Brant: https://www.otempo.com.br/diversão/magazine/atitude-de-fagner-revolta-músicos-mineiros-1.1386349 e https://youtu.be/Zm3U7Fs8le0;

-- Violão Godin Multiac ACS Natural com placa Polybass, uma invenção do suíço Matthias Grob da Paradis Guitar, engenheiro de áudio, precursor do loop e da captação hexafônica. Quando o músico está tocando os bordões (cordas ré, lá, mi), o Polybass faz com que seja adicionada à nota mais grave uma onda neutra (sem timbre) uma oitava abaixo, que se integra sem alterar o timbre do violão e sem chamar a atenção como um efeito ou nota midi, dando aquele fantástico peso de um contrabaixo: http://www.polybass.com/;

-- Craviola de 12 cordas de 1973 da Giannini com tampo de pinho alemão, escala, laterais, fundo e cavalete em jacarandá brasileiro, na qual gravei o Soneto em Mi Menor do Paulinho Nogueira com trêmulo: https://soundcloud.com/calendariodoafeto/soneto-em-mi-menor-paulinho-nogueira;

-- Violão Ressonador Carmelo Catania de 1954, cuja sonoridade lembra a guitarra manouche e o violão tenor. A seguir uma amostra desse instrumento na Gitana 220 do Marcos Frederico, um gipsy jazz lançado em 2017 no CD Carnaval Cigano: https://soundcloud.com/marcos-frederico/gitana-220-marcos-frederico; -- Guitarra semiacústica HG285G, uma réplica da Gibson ES175, fabricada pela Hofma com potenciômetros blindados e acabamento sunburst: https://www.youtube.com/playlist?list=PLmBe9uox5Jfk8r8PR-0GTbV0kyh9JvAD8;

 

VIOLAB

Como você prefere amplificar seus instrumentos?

CARLOS

Os violões com captação de rastilho são conectados ao wooDI, um preamp e DI Box com saída balanceada feito na Suíça pela Paradis Guitar que me foi apresentado pelo Aliéksey Vianna, o qual amortece e amadeira a sonoridade artificial dos pickups de rastilho: https://paradis-guitars.com/documents/wooDI-Flyer.jpg e https://paradis-guitars.com/woodi.htm.

Quando conjugo esse sistema a um dos seguintes microfones, conecto e equalizo ambos no EDB2 inglês da Headway (http://www.headwaymusicaudio.com/product/edb-2/) e/ou no amplificador AC60 da Roland (https://www.roland.com/br/products/ac-60/):

-- Ribbon Mic M160 da Beyerdynamic com Active Booster preamp da Ortiz Luthiers, direcionado à parte inferior do cavalete a dois palmos de distância (outra dica do Aliéksey Vianna): https://europe.beyerdynamic.com/catalog/product/view/_ignore_category/1/id/410/s/m-160/ e http://www.ortizluthiers.com/tienda/index.php/en/prices.html?id=40. Vale a pena conferir a performance irretocável e sem microfonia do Ralph Towner com o grupo Oregon, tendo o M160 como única fonte de captação: https://youtu.be/OYy5W7mMRWA?t=39s;

-- 4099G da DPA, fixado na lateral superior próximo à junção entre o corpo e o braço: https://youtu.be/70DVgj2Yd8k?t=37s e https://www.dpamicrophones.com/dvote/4099-instrument-microphone;

-- C411 da AKG fixado com massa adesiva na parte inferior do cavalete: https://youtu.be/KZsJVtrhgpY e https://www.akg.com/Microphones/Condenser%20Microphones/C411L.html;

-- PRA 383 DXLR da Superlux dentro de uma espuma cilíndrica fixada logo abaixo da boca entre a tampa e o fundo, com a cápsula apontada para 19h ou 21h em sentido horário, para eliminar o feed back (se não me engano, sugestão do João Lyra compartilhada pelo João Camareiro. Ouvi dizer que passaram a utilizar o JTS CX500/MA500. Ainda não experimentei nos meus instrumentos): https://www.thomann.de/gb/superlux_pra383_d.htm;

Quando uso violões sem captação, dependendo da circunstância, utilizo um dos microfones acima, o Gold Extreme Bass 6B (piezo elétrico com neodímeo + magneto + preamp ativo: https://youtu.be/mT2ubRhiyOA?t=25s; partitura da peça demonstrativa Uberaba e o Alto das Mercês: https://drive.google.com/file/d/0B0hvP9pTEGEndEF2SVZyNEdOTWc/view) ou o Piezo elétrico com neodímeo passivo (https://youtu.be/FcfNrpfr2s8) do Ric Cortez. Aventuro-me en passant no universo da captação hexafônica para transformar o violão e a guitarra em controladores midi por intermédio do Fishman Triple Play (https://www.fishman.com/products/series/tripleplay/) e do GP10 da Boss (https://www.boss.info/br/products/gp-10/).

Gostaria de frisar que não sou endorser. A configuração de setups é algo mutante e personalíssimo, depende de muitas variáveis. Então o que hoje é funcional para mim, talvez não seja amanhã; ou não seja bom para outros músicos. Em todo caso, espero que as considerações e os links partilhados sejam contributivos.

Gratidão e parabéns à equipe Violab.

Votos de sucesso e longevidade!

Outras informações: http://www.carloswalter.com.br/