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VIOLAB entrevista Andy Mckee

Um dos mais expressivos representantes de um estilo que ele mesmo chama de violão moderno, Andy McKee tornou-se conhecido pelo seu grande talento como intérprete e compositor para o instrumento na versão de cordas de aço. Inspirado por Michael Hedges e Don Ross, o violonista desenvolveu e disseminou o estilo, viralizando seus vídeos na internet. Atingindo frequentemente números de views na casa dos 7 dígitos, Andy McKee é um dos poucos instrumentistas no mundo que tem uma visibilidade apenas comparável àquela conseguida pelos artistas “pop”. Esta entrevista foi cedida com exclusividade ao Violab após um concerto na cidade de Gainesville no estado da Flórida.

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Como você começou a tocar violão?

ANDY

Bem, comecei a tocar violão aos 13 anos quando ganhei um violão de aniversário. Já estava interessado em música, um pouco. Eu escutava música no meu quarto e enquanto caminhava para a escola. Eu escutava, na época, principalmente rock’n’roll, mas não queria tocar violão até ouvir Eric Johnson no rádio; isso deve ter sido em 1991, eu acho. Ele tinha uma música chamada Cliffs of Dover que costumava tocar no rádio, e tinha essa guitarra elétrica instrumental. Quando eu ouvi, fiquei espantado, sabe? Eu tinha ouvido a guitarra, é claro, no rock ‘n’roll e tudo. Eu ouvia solos de guitarra e tudo mais, mas nunca tinha ouvido nada onde a guitarra fosse o foco em toda a música, sem a parte vocal. A guitarra fazendo uma grande linha melódica que carregava toda a música. Alguma coisa nisso ecoou em mim, e eu disse: "uau, eu adoraria poder fazer isso”. Então, ganhei um violão no meu aniversário de 13 anos. Era um violão clássico usado, comprado em uma loja de penhores, e foi aí que eu comecei. Sabe, eu tive um professor de violão por um tempo, e ele me ensinava alguns acordes e alguns tipos básicos de músicas. Eu pedi para ele me ensinar algumas músicas do repertório do rock’and’roll - coisas como Metallica e outros. De qualquer forma, esse foi meu começo. Eu ainda fiquei com a elétrica por algum tempo. Aí, depois de alguns meses, eu mudei para o violão de nylon. Eu era capaz de tocar a elétrica e estava realmente focado nisso por alguns anos. Quando eu fiz a mudança para o acústico, eu tinha cerca de 16 anos.

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Hoje, você é um dos violonistas mais especializados nesta técnica. Como você se interessou por esse estilo?

ANDY

Quando eu tinha 16 anos, fui à masterclass de um violonista chamado Prescott Reid. Eu não tinha ideia de quem ele era e fui levado para lá por meu primo, que disse: "vamos ver esse cara". Como mencionei, eu realmente estava tocando guitarra na época - rock, heavy metal -, e eu disse ", ok, vamos ver do que se trata". Eu fiquei realmente impressionado naquela noite. Ele estava usando afinações alternativas e técnicas incomuns que eu nunca tinha visto, especialmente no violão, como tocar no sobre os trastes e usar o corpo violão como instrumento percussivo, coisa que eu já havia ouvido um pouco com o flamenco, mas nunca de forma tão integrada, onde o ritmo permanecia constante como uma levada de bateria em toda a música, enquanto tocava ritmo e melodia ao mesmo tempo... Eu fiquei deslumbrado e quis saber o que ele estava fazendo, como ele podia fazer tudo aquilo, e aí eu consegui uma videoaula dele. Eu aprendi algumas músicas dali, e depois comecei a tentar tirar algumas das músicas de seu CD, e assim foi minha entrada na coisa do violão moderno. Mas acho que, aproximadamente um ano depois, encontrei Michael Hedges em algumas velhas revistas de guitarra que meu primo havia me dado, o mesmo primo que tinha me levado para ver o Prescott Reid. Eu estava dando uma olhada nas revistas e encontrei Michael Hedges na capa de uma delas. Ele estava com o harp guitar, e eu eu me perguntei: “quem é esse cara?”. Li uma entrevista sobre ele, que vinha com um CD de áudio, e então eu ouvi algumas músicas, saí e comprei todos os seus discos. Outro cara que realmente me inspirou foi Don Ross. Ele é, na verdade, um autêntico violonista “groovador”, que faz o lance instrumental. Nunca tinha ouvido falar de ninguém como ele antes. Outro cara foi Billy McLaughlin, que também me inspirou bastante. Todos esses caras são de fato minhas grandes influências, e eu fui atraído para este estilo pela ideia de poder me expressar de uma forma muito completa como um violonista solo. Eu toquei em bandas no ensino médio, e isso foi divertido, mas não sei... É algo sobre estar no controle de toda a composição, e poder mudar a dinâmica a qualquer momento ou acentuar outras partes - há algo realmente atraente nisso. Para mim, música sempre foi muito pessoal. Quando você ouve e está experimentando música por você mesmo, é possível sentir uma conexão real com o artista, sabe? E então, eu queria poder me expressar dessa forma também e assim, quando uma pessoa me escutasse tocar, sentiria uma conexão comigo e com a forma que eu me expresso através da música. Então, foi isso que me atraiu. Eu achava essas técnicas muito fascinantes também, quando via alguém tocar sobre os trastes do instrumento. Como violonista, isso foi fascinante, mas na verdade esse tipo de música realmente ressoou dentro de mim.

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Sobre o vídeo de Drifting. Hoje, você tem mais de 55 milhões de visualizações, e isso é incrível. Você é uma estrela pop! Você ficou surpreso com este resultado? Foi resultado de alguma estratégia de marketing, ou apenas um acidente?

ANDY

Sim, foi realmente um acidente. Eu escrevi Drifting quando tinha provavelmente 19. Tenho 37 anos hoje, então faz quase vinte anos. Eu a escrevi quando abandonei a faculdade e não sabia exatamente o que ia fazer da minha vida. Comecei a dar aulas de guitarra em uma loja de música na cidade. Comecei a escrever algumas músicas. O título veio disso, já que eu estava divagando um pouco. Eu não tinha um plano para uma vida real. Eu vinha tocando em pequenos cafés e bares em minha cidade natal por alguns anos. Em 2001, competi no concurso internacional de violão “fingerstyle”. Consegui o terceiro lugar naquele ano, mas isso me ajudou a fazer algumas conexões. Fui fazer uma turnê em Taiwan e fiz algumas viagens ao Japão. Mas, na verdade, eu ainda era apenas um professor de guitarra na minha cidade natal. Eu participei de um festival canadense de violão alguns anos depois, em 2004, e isso me levou a um cara que estava começando esta nova gravadora chamada CandyRat Records. Ele era apenas um fã de música instrumental para violão. Ele ouviu sobre mim através de Don Ross, que eu mencionei anteriormente como uma influência minha. Don disse-lhe que ele deveria me colocar no selo, e então eu me juntei a ele. Depois de cerca de um ano, ele me disse: "Vamos lançar alguns novos vídeos; tem um site novo chamado YouTube. Podemos colocar vídeos lá, de graça, e talvez consigamos alguns fãs novos interessados em violão”. Então, nós filmamos cerca de oito vídeos numa tarde, e ele os colocou no final de 2006. Drifting era um deles. Nós apenas pensamos assim: “vamos lá e vejamos o que acontece”. Não havia expectativas de o vídeo viralizar, mas as pessoas começaram a compartilhar. Eu acho que tem a ver com o fato de eu estar tocando violão de uma forma incomum, com a mão esquerda por cima do braço e percutindo o corpo do instrumento. Muita gente nunca tinha visto uma coisa assim. Eu sinto que devo muita dessa inspiração a caras como Preston Reed a aos caras que eu via quando tinha 16 anos, que me fizeram querer entrar nesse estilo e compor músicas como Drifting. Como eu já disse, tem muita gente que nunca viu nada como isso, aí eles veem o vídeo no YouTube e escrevem: “você precisa ver esse cara tocar violão ao contrário”, ou coisas assim. É verdade que viralizou e de repente eu estava tendo oportunidades de fazer turnês na Inglaterra, Alemanha e todos os lugares. Assim, eu parei de dar aulas e tenho apenas feito turnês desde então. Foi assim que tudo se desenrolou e eu não posso enfatizar o suficiente o quanto nós não fazíamos ideia de que tudo isso iria acontecer. Nós nem mesmo tentamos comercializar ou coisa assim. Acho que isso nem era mesmo possível na época. Sabe, talvez você diga em algum fórum de violões, em algum lugar: “Deem uma olhada nesse vídeo”. As pessoas tipo pegaram e compartilharam. Eu tive muita sorte.

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Nessa nova era da mídia com o YouTube, Facebook e internet em geral, você aparece conectado ao selo CandyRat, que tem sobrevivido nesse mundo selvagem da indústria da música. Muitas gravadoras estão em dificuldade, mas a CandyRat está indo bem, trabalhando com excelentes violonistas. Como você vê o futuro das gravadoras, incluindo a CandyRat?

ANDY

É realmente muito estranho saber que quando minha carreira começou a decolar foi exatamente no momento em que as coisas começaram a mudar na indústria do disco. Muita gente usa coisas como streaming hoje em dia, ou compra mp3 ao invés do CD. Tudo está realmente mudando e agora até mesmo os CDs parecem antiquados. Ninguém mais está escutando CD, o que é muito estranho. Na verdade, eu não estou mais com a CandyRat há mais ou menos 10 anos. Eles ainda vendem meus CDs antigos, que eles lançaram originalmente, mas eu tenho lançado poucas coisas desde então, por mim mesmo ou por um selo chamado Razor in Time. Em todo caso, eu acho que existe esse tipo de mercado de nicho, tipo “fingerstyle acoustic guitar” ou “death metal” ou qualquer outro tipo de gênero dedicado apenas aos fãs. Eu acho que eles vão estar aptos a sobreviver e encontrar uma maneira de sobreviver na indústria seguindo em frente. Eu não sei muito sobre isso, e procuro não me aprofundar muito. Eu apenas tento focar em tocar e compor. Eu provavelmente terei um outro álbum lançado; é provável que isso aconteça no começo do ano que vem ou no final deste ano, vamos ver. Mas nós estamos dando uma olhada em todos os contratos e vendo se há algum selo interessado. Uma coisa boa sobre selos é que eles podem ajudar com o marketing. Eles têm dinheiro e vontade de gastá-lo para divulgar um álbum. Mas eu acho que é possível você fazer as coisas por você mesmo hoje em dia, e apenas ir de encontro aos seus fãs através das mídias sociais, e indo pra estrada para tocar para as pessoas.

VIOLAB

Então, como você chamaria seu estilo?

ANDY

Esta é uma excelente pergunta. Na verdade, eu estou indo trabalhar numa videoaula para um website chamado True Fire. Nós vamos fazer algumas das minhas músicas e também abordar alguns fundamentos desse estilo. Bom, a razão pela qual eu mencionei isso é porque nós estamos tentando pensar em “Como vamos chamar esse curso? Qual nome daremos a esse estilo de música?”. Eu sempre chamo apenas de violão moderno, ou alguma coisa do tipo. Não é um termo muito atraente, por isso eu continuo tentando pensar se há um nome melhor, ao menos para o meu curso no website. Por isso eu chamo apenas de violão moderno. Michael Hedges costumava vir com um novo nome por semana e soava como ‘violão gladiador do tecido profundo’. Mas ninguém realmente chegou a um consenso sobre como chamar isso. Nós vamos encontrar um dia.

VIOLAB

Desculpe por essa pergunta. Eu sei que diversos músicos crossover tem dificuldade em dar nome ao próprio estilo. No entanto, isso é muito importante para as lojas de CDs, porque eles tem que indexar as estantes e acaba sendo difícil para músicos como você serem colocados nas estantes corretas.

ANDY

Eu sei que muitos músicos têm acabado na seção New Age ou Folk em algum momento.

VIOLAB

Podemos falar um pouco sobre seus instrumentos? Me parece que você usa diferentes tipos de violão, com diferentes afinações. Em seu concerto, eu pude ver que você usou afinações diferentes em muitas músicas. Quais violões você usa e quais as afinações que você prefere?

ANDY

Eu uso um violão Greenfield, feito pelo Michael Greenfield. Esse violão tem os trastes inclinados em forma de leque para melhor entonação. Ele também tem um chanfrado no corpo. É muito confortável. Esse é meu violão para afinações convencionais. Mas eu costumo mudar as afinações, como você disse, diversas vezes numa noite, dependendo da música. Eu me inspiro experimentando, tocando e vendo o que funciona. E então isso me ajuda a criar. Você é forçado a se tornar um explorador. Eu gosto de pensar assim. O que eu posso encontrar nessa nova afinação? Quais acordes estão lá? Aí então eu começo a escutar ideias melódicas que podem combinar e começo a compor. É assim que funciona. De qualquer forma, eu não me lembro mais quantas afinações diferentes eu já usei nos meus discos, mas definitivamente mais de 20, talvez 30. Este é meu violão standard. Eu também tenho um barítono. Ele tem os trastes inclinados em leque e um corpo jumbo. Ele também tem uma pintura que muda de cor, o que é bem legal. Este é normalmente afinado de B a B. Ele é afinado por intervalos de 4ªs, como um violão normal. Ele também tem os trastes em leque e chanfrado no corpo. Eu tenho escrito algumas músicas com o barítono. A primeira vez que escutei um violão barítono foi num disco do Don Ross. Deve ter sido no ‘Passion Session’. Eu fiquei intrigado porque gostei do registro mais grave, mas que funcionava como um violão normal, com todos os mesmos acordes. Eu uso afinações alternativas nele também.

VIOLAB

Sim, ele soa mais macio com mais graves. É muito bonito.

ANDY

Sim, é muito rico. Sabe, uma das primeiras coisas que eu fiz quando eu peguei o barítono foi apenas tocar uns acordes convencionais para ver como soavam. Aí, então, comecei a combinar uns acordes e acabei escrevendo uma música chamada ‘I don’t Know what this Title is’. Eu peguei os acordes, inverti as vozes e os fluídos criativos começaram a rolar. Esses são os dois que eu costumo levar nas minhas viagens, mas também a maior parte das vezes levo o ‘arp guitar’. Eu não estava com ele no show de Gainesville. Eu tinha que instalar um pickup nele e não foi possível levá-lo comigo. É um instrumento bem fascinante. É como um violão tradicional com seis cordas de harpa extras, sendo que algumas cordas graves ficam acima da borda do corpo. Eu costumo fazer algumas músicas com esse instrumento nos shows também. As pessoas ficam muito curiosas com esse instrumento. São esses os que normalmente levo para a estrada.

VIOLAB

Eu vi uma coisa muito interessante em seu website, que eu não conhecia: o Tonewood Amp. Você usou isso no seu show?

ANDY

Sim, é um aparelho bem legal. Eu acho que ele vibra o violão para fazer ele soar mais alto. Mas você pode também adicionar uns efeitos. Agora eu tenho usado esse reverb. É um aparelho muito legal. Quando você está em casa, ou atrás do palco, ou mesmo em um hotel, você pluga o aparelho e ele soa como se houvesse um reverb ali. Sim, eu adoro; ele me faz querer tocar mais e mais pela minha casa.

VIOLAB

Mas você usa também um pickup normal no seu violão?

ANDY

Sim.

VIOLAB

Quando você usa o violão captado, você também usa o mesmo som e efeito? Você o leva para o palco?

ANDY

Na verdade, eu não levo o Tonewood Amp para o palco. Eu plugo meu violão em um outro pré-amplificador chamado Felix da Grace Design. Ele já tem equalizador, então eu só peço para o pessoal da casa por um pouco de reverb.

VIOLAB

O seu som hoje foi ótimo, quente e grande. Eu fiquei impressionado com a quantidade de graves que você usa em seu violão. Na plateia, por exemplo, quando você tocava o corpo do violão na região das cordas graves, podia-se ouvir o profundo e volumoso grave que preenchia completamente o espaço. Essa é uma escolha sua ou do técnico de som?

ANDY

Sim, eu realmente gosto de uma boa quantidade de graves. Como os subwoofers, eu gosto de produzir aquele soco forte, assim quando eu atinjo o corpo com a palma da mão, soa como um bumbo, e bate bem. Portanto, sim, eu gosto de uma boa quantidade de graves ao vivo. Tem momentos, no entanto, quando eu tenho que pedir ao técnico para diminuir um pouco porque de vez em quando você apenas toca na corda e ela cria aquele enorme boom.

VIOLAB

E que tipo de captador você normalmente usa?

ANDY

Nos dois violões e no Arp Guitar, uso um K&K cujo modelo chama-se Pure Midi. São três captadores de contato colocados no tampo, no fundo e na ponte. Eu só uso isso, não há microfone interno ou coisas do tipo. Eu experimentei outros modelos que tinham os mesmos três captadores e um microfone interno, mas realmente eu acho que os três captadores já funcionam muito bem e o microfone pode levar a grandes problemas.

VIOLAB

Sobre suas gravações, você mesmo grava ou usa estúdios?

ANDY

Acho que desde o álbum ‘Joyland’ eu tenho gravado em casa. Foi em 2010. Eu também fiz um álbum com o Don Ross em 2008; nós gravamos na casa dele. Em 2010 eu gravei ‘Joyland’ aqui e também um EP, que saiu em 2014. O novo que estou fazendo, vou começar aqui e ver o que acontece. Pode ser que eu tenha que terminar num estúdio, vamos ver. Eu fiquei bem feliz com meus últimos dois lançamentos. Você sabe, um bom microfone e alguns softwares decentes fazem um bom trabalho.

VIOLAB

Quantos microfones você usa em suas gravações?

ANDY

Bem, na minha última gravação, usei apenas um, e era um condensador de diafragma grande. Era um Mojave Audio MA200. Eu usei apenas ele no EP ‘Mythmaker’.

VIOLAB

Minha última pergunta: Qual é o seu conselho para os jovens que querem ser músicos e ficar famosos tocando violão?

ANDY

Bem, eu não sei se eu poderei responder corretamente e espero ter entendido. Eu acho que a coisa mais importante para ser conhecido e ter apreciadores para sua música é escrever boa música, o máximo possível. Eu sei que às vezes os guitarristas podem ficar muito desligados dos aspectos técnicos e como algo é feito, ou coisas assim, mas o que realmente interessa é que você tente se expressar com sua música. Tentando ser sincero, se você fizer isso, você vai desenvolver o seu próprio som, o que também é importante. Eu sempre menciono os caras que me influenciaram e inspiraram. Mas uma coisa com a qual sempre tomei cuidado ao escrever uma música era pensar se algo que eu estivesse falando parecia muito com um desses caras. Então eu dizia para mim mesmo: “Bem, espere um minuto, eu preciso mudar isso. Isso é muito parecido com Michael Hedges ou Don Ross”. Comecei então a refinar minhas composições e, finalmente, acho que acabei com algo que era realmente meu. Eu acho que isso é um aspecto importante para se tornar um violonista bem conhecido. Isso é uma parte do processo, com certeza, e como eu disse, o outro aspecto é compor boa música. Você deve pensar em melodia; você deve pensar no ritmo. Você está sentindo alguma coisa? Ao escrever esta música, você está sentindo alguma coisa? Porque, se você não está, ninguém mais está. Então, você precisa colocar o seu coração e se expressar completamente, e assim você pode ter certeza de que alguém vai se conectar com ele. Definitivamente não é fácil se tornar um violonista bem conhecido. Eu sinto que tive muita sorte com o jeito que as coisas acabaram acontecendo pra mim na internet. Mas, ao mesmo tempo, eu estava trabalhando duro, colocando-me nessas competições de violão e conhecendo outros violonistas. Acho que, obter um bom resultado nessas competições ajudou, mas fazer essas conexões foi importante. Eu fui convidado a tocar no Canadá e na Alemanha e todos esses outros lugares antes do YouTube ter acontecido. Então, você tem que sair e tocar, colocar seu coração, acreditar em si mesmo e desenvolver seu próprio som. Essas são as coisas realmente importantes. E, claro, eu pratico muito.

VIOLAB

Maravilha. Acho muito útil falar sobre isso, pois cada jovem com um violão tem o sonho de alcançar o sucesso no futuro, e quando temos um grande exemplo de um cara de sucesso, é muito bom saber o segredo. Andy, muito obrigado por isso.

ANDY

Muito obrigado, tenha um bom dia!

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Vídeos

Art of Motion: https://www.youtube.com/watch?v=kji4R6B2Dkg

Because It'sThere (Michael Hedges): https://www.youtube.com/watch?v=ph3FcUyHuTE

Mithmaker: https://www.youtube.com/watch?v=6QApNb4-Sls

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Transcrição da entrevista por James Gruber III


VIOLAB INTERVIEWS ANDY MACKEE

One of the most expressive musicians of a style called by himself Modern acoustic guitar, Andy McKee has become known for his great talent as interpreter and composer for the instrument in the steel strings version. Inspired by Michael Hedges and Don Ross, the guitarist developed and disseminated the style, viralizing his videos on the internet. Frequently reaching views about 7-digit numbers, Andy McKee is one of the few instrumentalists which has a visibility only comparable to that achieved by "pop" artists. This interview was given exclusively to Violab after a concert in the city of Gainesville, in the state of Florida.

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VIOLAB

How did you started playing guitar?

ANDY

Well, I started playing guitar when I was 13 years old. I asked for a guitar for my birthday, and I had been interested in music quite a bit already. I listened to music on the walk to school and in my room. I listened to a lot of rock’n’roll mostly at the time, but I didn’t want to play guitar until I heard Eric Johnson on the radio, which must have been like 1991 I think. He had a song called Cliffs of Dover that was on the radio then, and it was this instrumental electric guitar. When I heard it, I was so amazed, you know? I had heard the guitar, of course, in rock’n’roll music and everything, and I heard guitar solos and things like that. But I never heard someone where it was like the guitar was the focus throughout the whole piece of music – you know, there’s no singing, and the guitar just adds such a great melody line that it carried the whole tune. Something about that just resonated with me; I said, “wow, I would love to be able to do that”. So, I got a guitar for my 13th birthday. It was an used guitar from a pawn shop. It was a nylon string classical guitar, and that’s where I started on. You know, I had a guitar teacher for a while, and when I started, he taught me some chords and some basic kinds of songs and things. I had him teach me some rock’n’roll tunes – things like Metallica and stuff. Anyways, that’s kinda how I started; I was really into the electric guitar for a while. It was what I switched to after a few months on my nylon string guitar. I was able to get an electric and was really focused on that for a few years. When I made the switch to the acoustic, I was about 16.

VIOLAB

Today, you are one of the most specialized players in this technique. How did you get interested in this style?

ANDY

When I was 16 years old, I went to go see a sort of guitar masterclass that was given by a guitar player named Preston Reed. I had no idea who he was or anything, and I was taken there by my cousin, who said, “let’s go see this guy”. Like I mentioned, I was really into playing guitar at the time – rock, heavy metal – and I was like, “okay, let’s see what this is about”. I was just really amazed that night. He was using alternate tunings and unusual techniques on the guitar that I had never seen, especially on acoustic guitar, like tapping on the fretboard, and also a lot of percussion on the guitar body, which I heard a little bit with flamenco, but never really in such an integrated way, where there was a steady sort of drum beat going throughout the tune, all while playing rhythm and melody at the same time… I was just so blown away, and so I wanted to learn what he was doing, how he could do all that, and I got an instructional video of his. I learned a few songs off of that, and then I started trying to learn some of his tunes from his CD. And so, that was my entry in the modern acoustic guitar thing. But I guess about a year later I found Michael Hedges in some old guitar magazines that my cousin gave me, that same cousin that actually took me to see Preston Reed. I was looking through them and found Michael Hedges on the cover of one, and he had the harp guitar, and I was like: “who is this guy?”. I read an interview about him, and there was a record inside too that you could listen to, and so I heard some music and went out and bought all of his records. Another guy that really inspired me was Don Ross. He’s just a really groovy acoustic guitar player, who does instrumental stuff. I had never heard of anyone like him before. Another guy was Billy McLaughlin, who really inspired me too. All those guys are really my big influences, and I was just drawn to the style because, for one thing, as a solo artist, I was so drawn to the idea that I can express myself in a really complete way as a solo guitar player. I played in bands in high school, and that was all fun, but I don’t know… something about being in control of the entire composition, and if you want to change the dynamics at any moment or accent other parts – there’s something really appealing about that. Just to me, music was always so personal too, like when you listen and you’re being by yourself experiencing music, you can feel a real connection with the artist, you know? And so, I wanted to be able to express myself that way too, where when people heard my music, they feel a sort of connection with me and how I express myself in music. So, that’s what drew me to it. I thought the techniques were all very fascinating too, seeing someone play over the top of the neck. As a guitar player, that was really fascinating, but even more than that, this kind of music just really resonated with me on a personal level.

VIOLAB

About Drifting. Today, you have more than 55 million views and it’s amazing! You’re a pop star! Were you surprised with this result? It’s very uncommon for a solo guitar player. Was it some kind of marketing strategy, or maybe an accident?

ANDY

Yeah, it was really an accident. I mean, I wrote the tune Drifting when I was probably 19. I’m 37 now, and so it was almost twenty years ago when I wrote it. I wrote it when I dropped out of college, and I didn’t know what exactly I was going to do with my life. I started teaching guitar lessons at a music store in town. I started to write some tunes. The title came from this, where I was drifting a bit. I did not have a real life plan or anything. Both that, and I was playing it in little coffee shops and bars in my hometown for many years. In 2001, I competed in the international fingerstyle guitar championship. I got third place that year, but that helped me make some connections. I went to tour in Taiwan and did some trips to Japan. But really, I was still just a guitar teacher in my hometown. Anyways, I competed in a Canadian guitar festival a few years later, in 2004, and that led me to a guy that was starting this new record label called CandyRat Records. He was just a fan of acoustic guitar instrumental music. He heard about me through Don Ross, who I mentioned earlier was an influence of mine. Don told him that he should get me on a label, and so I joined up. About a year into it or so, he said: “Let’s shoot some new videos; there’s this new website called YouTube. We can put videos on there for free and maybe we’ll get some new fans interested in acoustic guitar”. So we just shot about eight videos in an afternoon, and he put them up in late 2006. Drifting was one of them. We just thought: “Here we go, we’ll see what happens”. There was no expectations of it going viral, but people started to share it. I think it has to do with the fact that I was playing with a guitar in an unusual way, with the left hand over the top of the neck and hitting the guitar body. A lot of people just had never seen anything like that. To me, I owe a lot of that inspiration to guys like Preston Reed and guys I saw when I was 16 that made me want to get into the style and even compose music like Drifting. Like I said, there was just so many people who had never seen anything like it, so they see this on YouTube and are just like: “you gotta see this guy playing guitar upside-down” or whatever. It sure went viral, and suddenly, I was getting opportunities to go tour in England and Germany and just all over the place. And so, I stopped teaching guitar lessons and I’ve just been touring ever since. So yeah, that’s how it all unfolded, and I can’t stress enough how we had no idea that that was going to happen. We didn’t even try to market it or whatever. I don’t think that was even possible at the time. I mean, maybe you could say on a guitar forum somewhere, “Hey, look at this video”. People just sort of took it and shared it around. I’m lucky for that.

VIOLAB

With this new media, YouTube, Facebook and the Internet in general, you were connected with CandyRat label, which is interesting because they are surviving in this absolutely wild world of the music industry now. A lot of record labels are struggling and CandyRat has done very well, since they are working with very good guitar players. What do you think of the future of recording labels, including CandyRat?

ANDY

Yeah, it’s very strange to know that when my career started to take off was when things really started to change with the record label industry. A lot of people use things like streaming services these days, or they’ll just buy the mp3 instead of the physical CD. Everything is really changing so much that even now CDs feel antiquated. Nobody’s really listening to CDs that much, which is so strange. I actually haven’t been with CandyRat for about ten years. They do still sell my older CDs that they originally released, but I’ve released a few things since then, just on my own or with a label called Razor in Time. In any case, I think that there’s these sort of niche markets, like fingerstyle acoustic guitar or death metal or any kind of small genre that just has really dedicated fans. I think that they’ll be able to survive and find a way to exist in the industry going forward. I don’t know much about it, so I try not to get into it too much. I just try to focus on playing and writing music. I am probably going to have another album coming out; it’s probably going to be early next year or late this year, we’ll see. But we’re taking a look with all the contracts with that, if there are any labels that are interested. The one thing that is great about labels is that they can help with marketing. They have a budget that they want to spend to market an album. But, I think it’s also possible to do things on your own these days, and just go directly to the fans, through social media and getting out on the road and playing for people.

VIOLAB

So what would you call your style?

ANDY

That’s an excellent question. I’m actually going to be working on an instructional course with a website called Truefire this year. We’re going to do some of my songs as well as getting into some of the basics of this style. Anyways, the reason I bring that up is because we’ve been trying to think: “What are we gonna call this instructional course? What are we gonna call this style of music?”. I’ve always just called it ‘modern acoustic guitar’ or something like that. But, it’s not very catchy, so I’m still trying to think of it there’s some better name we can call it, at least for my instructional course with the website. That’s just what I’ve been calling it: ‘modern acoustic guitar”’ Michael Hedges used to come up with a new name for it every week or so it seemed like, like calling it ‘deep tissue gladiator guitar’. But no one has really come up with a consensus on this stuff should be called. We’ll figure it out one day.

VIOLAB

Sorry for that question, I know that a lot of crossover musicians have difficulty giving their style a name. Although, it’s very important for CD stores, because they have to make tags, and so it is very difficult for musicians like you to be put in the right part of the store.

ANDY

I know that a lot of musicians have ended up in the New Age section.

VIOLAB

Could we talk a little bit about your instruments? I think you use a lot of different kinds of guitars and a lot of different tunings. In your concert, I could see you used a different tuning for many of your songs. So, what kind of guitars do you use, and what kind of tunings do you prefer?

ANDY

I use a Greenfield guitar, as in Michael Greenfield. This has a fanned fret guitar neck on it, for better intonation. It also has a bevel (on the body). It’s very comfortable. So that’s my standard pitch guitar. But I’ll change tunings, as you said, like several times a night, depending on the tune. I get inspired by messing around and playing around and seeing what’s available. And so it helps me get creative. You’re forced to become an explorer; I like to think of it like that. What can I find in this new tuning? What kinds of chord voicings are there? And then I start to hear melodic ideas that could go together, and I’ll start to compose, and that’s how it works. In any case, I don’t know how many tunings I’ve used so far in all of my recordings, but it’s definitely over 20, maybe 30 or so. But (anyways), that’s my standard guitar; I also have a baritone. It’s got a fanned fret neck and a jumbo body on it. It’s also got a color shifting paint on it too, which is kinda cool. So, this thing is normally tuned from B to B normally. It’s like a 4th interval standard guitar. It’s got the fanned frets and bevel on it too. I’ve written quite a few tunes with the baritone. I first heard the baritone guitar on… I think it was a Don Ross album, it must have been on passion session. I was just so intrigued by it because I liked the lower pitch, but acts just like a normal guitar, with all the same chords. I use alternate tunings on here as well.

VIOLAB

Yeah, it sounds more mellow with more bass. It’s beautiful.

ANDY

Yeah, it’s very rich. You know, one of the first things I did when I first got the baritone was just take some of the chords I liked in standard tuning and see how they sounded on here. And so, I started to connect some of the chords together, and I ended writing a tune called ‘I don’t know what this title is’. And so I just took these chords and inverted voices onto here and got the creative juices flowing. So those are the two that I usually tour with, but I, also, most of time, take a harp guitar as well. I didn’t have it there at the show in Gainesville; I had to get the pickup worked on, so I wasn’t able to bring it with me that time. It’s a pretty fascinating instrument. It’s like a standard guitar but has six extra harp strings, some bass strings that are lower than the guitar side. And so, I’ll normally do a few songs normally on that during the shows too. People are always curious about that instrument. So, those are the ones I usually take on the road.

VIOLAB

So, I saw something very interesting on your website that I had never heard about of before: the Tonewood amp. Did you use that in the concert?

ANDY

Yeah. It’s a pretty cool device. I guess it vibrates the guitar to make it louder. But then, you can also add effects into it. So, like right now, I’ve got this reverb going on. It’s a very cool device. When you’re just sitting at home or back stage in the venue or at a hotel or whatever, you just plug that thing in and it sounds like you’ve got reverb right there. Yeah, I love it; it makes me just want to keep playing more and more around home.

VIOLAB

Normally do you also use a normal pickup in your guitar?

ANDY

Yeah.

VIOLAB

So, when you use your guitar with a pickup, can you get the same sound and effect? Do you take this on the stage?

ANDY

I actually do not take the tonewood amp on stage. I just plug the guitar into another preamp that’s called ‘The Felix’, by Grece Designs. There’s a bit of EQ on there, and so I just go from there to the house and have them put some reverb on in the venue.

VIOLAB

Your sound there was amazingly hot and big. It amazes me how much bass you use on your guitar. In the audience, for example, when you touch the top of your guitar on the bass strings, we could hear a deep and very loud bass that completely fill the venue. So, is it your choice to play with this amount of bass, or is it the sound technicians choice?

ANDY

Yeah, I do really like a good amount of bass. Like the subwoofers, I like to have those kicking pretty good, so if I hit the body with the palm of my hand, it really sounds like a kick drum and hits quite well. So yeah, I like a pretty good amount of bass in there. There are times, though, when I have to talk with the technician about it being too much, sometimes even when you just hit the strings and it creates a loud boom.

VIOLAB

What kind of pickup do you normally use?

ANDY

Inside both of the guitars and the harp guitar is a K&K and the pickup is called ‘Pure Midi’. They are three-contact pickups that are attached to the soundboard and underneath the bridge. That’s all I use; I don’t have an internal mic or anything. I’ve tried setups where it was those three and an internal mic, but really, I’ve found that just the three are working really well, and the mic can lead to bad problems.

VIOLAB

About your recordings, do you do them by yourself or with a studio?

ANDY

I guess since the ‘Joyland’ album, I do them at home. That was 2010. I also did an album with Don Ross in 2008; we recorded that at his house. But yeah, in 2010 I recorded ‘Joyland’ here and also an EP that came out in 2014. This new one that I’m going to be working on, I’m going to start it here and see how it works out. I might have to do the final recording at a studio, but we’ll see how it comes out. I was pretty happy with the last couple releases. You know, a good microphone and some decente software.

VIOLAB

And how many microphones do you use?

ANDY

Well, on the last recording I just used one, and it was a large diaphragm condenser microphone. It was a Mojave Audio MA200. And so, I just used that alone on the Mythmaker EP.

VIOLAB

My last question: What is your advice for any new guys who are trying to be musicians and become famous playing the guitar?

ANDY

Well, I’m not sure if I’ll be able to say this correctly, and I hope I get the point across. I think that the most important thing to becoming well known and have appreciation for your music is to write good music, the best you can. I know that sometimes guitar players can get so hung up on the technicalities and how something is done or so many minute things, but what really matters is that you try to express yourself with your music. Trying to be honest. If you do that, you’re going to develop your own sound, which I think is very important as well. I’m always mentioning the guys that influenced me, and I was definitely inspired by those guys so much. But, one thing I was always careful about too was that when I was writing music and I thought something that I was coming up with sounded [too] much like one of those guys, I’d say: “Well, wait a minute, I need to change this. This is too much like Michael Hedges or Don Ross”. I started to refine my compositions, and ultimately, I think I ended up with something that was really me and unique. I think that is a real integral part of becoming a well-known guitar player. That’s a part of it, for sure, and as I said, the other part is just composing good music. You’ve got to think about melody; you’ve got to think about rhythm. Are you feeling anything? As you write this music, are you feeling anything? Because if you’re not, nobody else is either. So, you need to put your heart into it and express yourself fully, and then you can be sure that someone is going to connect with it. (However), it’s definitely not easy to become a well-known guitar player. I feel quite lucky that things turned out the way they did for me on the internet. But at the same time, I was working hard, putting myself into these guitar competitions and meeting other guitar players. Sometimes doing well in these competitions helped, but making those connections (were importante). I was invited to play in Canada and Germany and all these other places before the YouTube thing even happened. So, you’ve got to get out there and play, put your heart into it, believe in yourself, and develop your own sound. Those are all the things that are really important. And of course, I practice a lot.

VIOLAB

Wonderful. I think it is very useful to talk about this, since every little guy with a guitar has a dream to be successful in the future, and when we have a big example of a successful guy, it is very good to know the secret. Andy, thank you very much for this.

ANDY

Thanks so much, have a good day!

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Videos

Art of Motion: https://www.youtube.com/watch?v=kji4R6B2Dkg

Because It'sThere (Michael Hedges): https://www.youtube.com/watch?v=ph3FcUyHuTE

Mithmaker: https://www.youtube.com/watch?v=6QApNb4-Sls

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Interview's transcription by James Gruber III